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terça-feira, 19 de junho de 2012


ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DE CARÁTER INDRODUTÓRIO DO PROBLEMA


       A violência no futebol é oriunda dos mais diversos fatores da sociedade, sendo impossível indicar essencialmente uma única causa desses acontecimentos. Por isso deve-se antes de fazer qualquer juízo de valor sobre os acontecimentos violentos no esporte, ter uma visão ampla das variantes que influem na eclosão de atos que a sociedade condena.


Tratando de violência no futebol, temos em vista duas vertentes de acontecimentos, sendo ela DO FUTEBOL E NO FUTEBOL. A violência do futebol se trata de atos que são oriundos da realidade própria do desporto, mesmo tendo influencias da sociedade onde é praticado, esses atos tem em sua gênese nas relações entre os jogadores, técnicos e dirigentes entre si. Já a violência no futebol são os fatores que vêm de fora para dentro, aqueles que compõem o cenário para as brigas e batalhas, e com eles, podemos ter uma visão mais ampliada do problema.


Do ponto de vista intrínseco ao futebol, apontamos primeiramente as batalhas campais que ocorrem no decorrer das partidas. Muitas delas ocorrem pela incitação por parte da comissão técnica, como também dos torcedores, em fazer com que os jogadores de determinada equipe entrem em campo portando um sentimento coletivo muito forte, fazendo alusão com uma verdadeira batalha irá se suceder na partida, e que eles devam ganhar custe o que custar, sempre defendendo a coletividade (o time) e os ideais defendidos por determinada equipe. Sendo assim, ocorre que qualquer tipo de situação dentro de campo se torne motivo de agressões contra jogadores de outras equipes, como também possíveis erros de arbitragem são tomados como pretexto para uma briga generalizada. O erro acontece justamente no sentimento transferido por parte dos superiores (técnicos, dirigentes, torcedores) para com os jogadores, fazendo com que eles esqueçam a verdadeira essência do futebol, que é a competição em si, e que o adversário não é inimigo. Sendo assim, para vencê-lo não é necessário derrota-lo, no sentido destrutivo, mas sim de unir forças para ganhar a par;tida, dentro dos limites das regras pré-estabelecidas.


Outro aspecto observado que faz com que psicologicamente os jogadores se predispõem a agir com violência é o fato de o próprio esporte ser o único meio de obtenção de renda do individuo praticante, acarretando em um excesso de responsabilidades que são incumbidas para os jogadores, fazendo com que haja um sentimento de certa forma semelhante aos dos gladiadores da Roma antiga, que precisavam vencer para sobreviver. Imersos nesse contexto, o jogador vê o seu adversário como inimigo, e que precisa, através do jogo, destruí-lo para que possa ganhar o seu meio de sobrevivência, que muitas vezes também é o de sua família inteira.


Da ótica que vê o problema da violência de fora para dentro, podemos apontar fatores históricos. Neste caso guerras, desavenças passadas, brigas estão presentes em determinado local, em que dois ou mais grupos que são inimigos históricos entre si, adotam times de futebol, muitas vezes com o intuito de defrontar seus inimigos no esporte escolhido. Assim, cria-se um sentimento coletivo que une pessoas de uma mesma ideologia em um clube de futebol, fazendo com que se auto proclamem rivais de outro clube, pois os adeptos daquele são de ideologia oposta e conflitante.


Casos como Celtic e Ranger da Escócia podem ser incluídos nessa situação. Neste caso, questões religiosas e culturais fazem com que um grupo de orientação cristã-católica adotasse o clube do Celtic, e o de orientação cristã-protestante ficasse com o Rangers. Situação semelhante ocorre na Alemanha com as equipes Borussia Dortmund e Schalke 04, aparecendo novamente grupos religiosos adotando times de futebol. Fundado em uma região de maioria protestante e adepta ao Schalke 04, o Borussia foi criado por católicos.


A rivalidade Real Madri vs Barcelona também pode ser considerada nessa ótica, tendo as questões culturais e relevantes a política imperial motivos de posicionamentos contrários (Real Madrid representar psicologicamente a realeza e o poder centralizador), como também assuntos de carácter separatista, adotando um clube especifico como representação de uma cultura reprimida e desejosa de independência (Barcelona). Portanto, nos dois fatores de violência no futebol, a sociedade é refletida no esporte, entrando em campo pessoas inclusas neste contexto social.









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