ALGUMAS CONSIDERAÇÕES DE CARÁTER INDRODUTÓRIO DO
PROBLEMA
A violência no futebol é
oriunda dos mais diversos fatores da sociedade, sendo impossível indicar
essencialmente uma única causa desses acontecimentos. Por isso deve-se antes de
fazer qualquer juízo de valor sobre os acontecimentos violentos no esporte, ter
uma visão ampla das variantes que influem na eclosão de atos que a sociedade
condena.
Tratando de violência no futebol, temos em vista duas vertentes de
acontecimentos, sendo ela DO FUTEBOL E NO FUTEBOL. A violência do futebol se
trata de atos que são oriundos da realidade própria do desporto, mesmo tendo
influencias da sociedade onde é praticado, esses atos tem em sua gênese nas
relações entre os jogadores, técnicos e dirigentes entre si. Já a violência no
futebol são os fatores que vêm de fora para dentro, aqueles que compõem o
cenário para as brigas e batalhas, e com eles, podemos ter uma visão mais
ampliada do problema.
Do ponto de vista intrínseco ao futebol, apontamos primeiramente
as batalhas campais que ocorrem no decorrer das partidas. Muitas delas ocorrem
pela incitação por parte da comissão técnica, como também dos torcedores, em fazer
com que os jogadores de determinada equipe entrem em campo portando um
sentimento coletivo muito forte, fazendo alusão com uma verdadeira batalha irá
se suceder na partida, e que eles devam ganhar custe o que custar, sempre
defendendo a coletividade (o time) e os ideais defendidos por determinada
equipe. Sendo assim, ocorre que qualquer tipo de situação dentro de campo se
torne motivo de agressões contra jogadores de outras equipes, como também
possíveis erros de arbitragem são tomados como pretexto para uma briga
generalizada. O erro acontece justamente no sentimento transferido por parte
dos superiores (técnicos, dirigentes, torcedores) para com os jogadores,
fazendo com que eles esqueçam a verdadeira essência do futebol, que é a
competição em si, e que o adversário não é inimigo. Sendo assim, para vencê-lo
não é necessário derrota-lo, no sentido destrutivo, mas sim de unir forças para
ganhar a par;tida, dentro dos limites das regras pré-estabelecidas.
Outro aspecto observado que faz com que psicologicamente os
jogadores se predispõem a agir com violência é o fato de o próprio esporte ser
o único meio de obtenção de renda do individuo praticante, acarretando em um
excesso de responsabilidades que são incumbidas para os jogadores, fazendo com
que haja um sentimento de certa forma semelhante aos dos gladiadores da Roma
antiga, que precisavam vencer para sobreviver. Imersos nesse contexto, o
jogador vê o seu adversário como inimigo, e que precisa, através do jogo,
destruí-lo para que possa ganhar o seu meio de sobrevivência, que muitas vezes
também é o de sua família inteira.
Da ótica que vê o problema da violência de fora para dentro,
podemos apontar fatores históricos. Neste caso guerras, desavenças passadas,
brigas estão presentes em determinado local, em que dois ou mais grupos que são
inimigos históricos entre si, adotam times de futebol, muitas vezes com o
intuito de defrontar seus inimigos no esporte escolhido. Assim, cria-se um
sentimento coletivo que une pessoas de uma mesma ideologia em um clube de futebol,
fazendo com que se auto proclamem rivais de outro clube, pois os adeptos
daquele são de ideologia oposta e conflitante.
Casos como Celtic e Ranger da Escócia podem ser incluídos nessa
situação. Neste caso, questões religiosas e culturais fazem com que um grupo de
orientação cristã-católica adotasse o clube do Celtic, e o de orientação
cristã-protestante ficasse com o Rangers. Situação semelhante ocorre na
Alemanha com as equipes Borussia Dortmund e Schalke 04, aparecendo novamente
grupos religiosos adotando times de futebol. Fundado em uma região de maioria
protestante e adepta ao Schalke 04, o Borussia foi criado por católicos.
A rivalidade Real Madri vs Barcelona também pode ser considerada
nessa ótica, tendo as questões culturais e relevantes a política imperial
motivos de posicionamentos contrários (Real Madrid representar
psicologicamente a realeza e o poder centralizador), como também assuntos de
carácter separatista, adotando um clube especifico como representação de uma
cultura reprimida e desejosa de independência (Barcelona). Portanto, nos dois
fatores de violência no futebol, a sociedade é refletida no esporte, entrando
em campo pessoas inclusas neste contexto social.






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