Como mensurar que um ano de trabalho foi desperdiçado? Em primeiro
momento, devemos estabelecer algum referencial que por alguns motivos não foi
alcançado, identificar situações, circunstancias e atos que fizeram com que
esse objetivo ficasse longe de ser concluído e por fim criar critérios dentro
da realidade vivida e utilizá-los para inferir se as ações identificadas
anteriormente foram relevantes para o insucesso por incompetência própria ou
por fatores que não pudemos controlar.
Desta maneira, a meu ver, poderíamos analisar um ano de trabalho, sendo
ele desempenhado em qualquer esfera da sociedade. E utilizando esse método, sou
de posição contraria a afirmação que o competente jornalista da ESPN Mauro
Cezar Pereira diz em seu videoblog, afirmando que CR7 perdeu a grande
oportunidade de desbancar Lionel Messi. Na opinião do referido, CR7 teve jogos
e campeonatos decisivos, que se tivesse melhor sorte, poderia com essas
vitórias, ser o melhor do mundo.
De cara sabemos que o referencial para ser analisado é o Balon d’or que é
entregue ao melhor jogador escolhido em uma votação envolvendo treinadores,
jogadores e jornalistas. Meta ambiciosa que um jogador da qualidade de CR7,
ganhador em 2008, pode ter.
A primeira circunstancia citada pelo Jornalista é a Eurocopa, que só não
foi vencida pelo português pelo empecilho de uma simples disputa de pênaltis.
De certa maneira, esta referencia do critério de desempate dá a entender certo
desprestigio acompanhado com uma desvalorização dos méritos de quem vence, colocando
o imponderável como preponderante em detrimento a competência nesse tipo
disputa. Para avaliarmos esta competição, é necessário que nos reportemos a
jogos anteriores, até a fase de grupos, tendo o gajo um desempenho muito abaixo
do esperado, principalmente em momentos decisivos, vide o jogo contra a
Dinamarca, onde o gol de Valera deu a vitória a Portugal, que foi muito
prejudicado com a atuação de CR7.
Logo, não podemos considerar a semi-final como uma desagradável surpresa
na derrota de Portugal. O time teve nuances consideráveis durante o torneio,
inclusive o melhor jogador português.
A segunda situação apontada ocorreu antes mesmo da Eurocopa. A semi-final
da Champions League foi disputada contra a equipe de Bayern de Munique. Se considerarmos que o jogo foi
imediatamente no dia posterior da desclassificação do Barcelona diante da
equipe do Chelsea, e que assim, o caminho estava aberto e livre para o Real
Madrid conquistar a Liga dos Campeões e com isso, CR7 ter condições reais de se
tornar o melhor do mundo, talvez o português realmente tivesse uma grande
oportunidade de se aproximar de Messi.
Entretanto, se aproximar é o termo que melhor se ajusta, pois durante a
competição, o argentino se apresentou com mais consistência, mantendo na
maioria absoluta dos jogos uma performance proporcional ao status de melhor do
mundo, vide o numero de gols feitos na Liga 2011-12: foi o artilheiro. CR7
também passou por altos e baixos, e a vitória, mesmo nas penalidades, do Bayern
de Munique foi justa, contando com o desperdício da cobrança de pênalti do
português. Caso vencesse o duelo contra os alemães, dificilmente poderia
ultrapassar Messi na artilharia, muito menos em número de bons jogos, pois
restava apenas um, a Final. Resumindo, a situação não era uma barbada.
Considerando o desempenho do Português este ano, não podemos encarar com
surpresa e incredulidade a não conquista destes jogos-campeonatos chaves, pois
em ambas as oportunidades, a performance não foi suficiente para a conquista, e
o imponderável (se é que ele é relevante na analise) não teve grande reflexo no
resultado final.
Ainda temos uma etapa até a conclusão. Esta que avalia as reais condições
de nossas ações e tenta mensurar se elas foram influentes o bastante para
falharmos ou entre o objetivo almejado e nosso trabalho havia ainda fatores que
não poderíamos controlar.
Desta forma, CR7 falhou nas oportunidades que teve, e isso pode-se
atribuído ao mau desempenho, porém é quase consenso que este ano fora um dos
melhores da carreira deste jogador. Então, a não conquista talvez se deu muito
por conta da insuficiência em alcançar os resultados, que reflete o alto grau
de dificuldade das competições que por si só explica o insucesso, do que a não
contemplação de um limiar que poderia ser alcançado, e que não foi por
incompetência.
Dando um passo para trás, tentando enxergar cada vez mais amplo, é
questionável o argumento que coloca as conquistas destas duas competições como
fator que garantiria o premio. O Balon dor é dado ao jogador que teve o melhor
desempenho durante o ano, e isso nem sempre é sinônimo daquele que conseguiu
alcançar os maiores títulos. Particularmente neste ano, as metas individuais
foram tão gritantemente ultrapassadas, que um título da Liga dos Campeões se
esmaece diante delas.
Por isso, CR7 teve as mesmas chances dos anos anteriores de ganhar o
prêmio. Mas isso ainda está aquém do que ele merece.
PS.: O fato de
eu não concordar com o posicionamento do Jornalista, não faz com que eu não o
aceite, pelo contrário, respeito e fico agradecido por existir um
posicionamento contrário do meu, pois assim, há
oportunidade da discussão, apresentando argumentos em cima de argumentos. Algo
que deve ser feito em uma sociedade de seres humanos.







