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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Chance perdida?


Como mensurar que um ano de trabalho foi desperdiçado? Em primeiro momento, devemos estabelecer algum referencial que por alguns motivos não foi alcançado, identificar situações, circunstancias e atos que fizeram com que esse objetivo ficasse longe de ser concluído e por fim criar critérios dentro da realidade vivida e utilizá-los para inferir se as ações identificadas anteriormente foram relevantes para o insucesso por incompetência própria ou por fatores que não pudemos controlar.

Desta maneira, a meu ver, poderíamos analisar um ano de trabalho, sendo ele desempenhado em qualquer esfera da sociedade. E utilizando esse método, sou de posição contraria a afirmação que o competente jornalista da ESPN Mauro Cezar Pereira diz em seu videoblog, afirmando que CR7 perdeu a grande oportunidade de desbancar Lionel Messi. Na opinião do referido, CR7 teve jogos e campeonatos decisivos, que se tivesse melhor sorte, poderia com essas vitórias, ser o melhor do mundo.

De cara sabemos que o referencial para ser analisado é o Balon d’or que é entregue ao melhor jogador escolhido em uma votação envolvendo treinadores, jogadores e jornalistas. Meta ambiciosa que um jogador da qualidade de CR7, ganhador em 2008, pode ter.

A primeira circunstancia citada pelo Jornalista é a Eurocopa, que só não foi vencida pelo português pelo empecilho de uma simples disputa de pênaltis. De certa maneira, esta referencia do critério de desempate dá a entender certo desprestigio acompanhado com uma desvalorização dos méritos de quem vence, colocando o imponderável como preponderante em detrimento a competência nesse tipo disputa. Para avaliarmos esta competição, é necessário que nos reportemos a jogos anteriores, até a fase de grupos, tendo o gajo um desempenho muito abaixo do esperado, principalmente em momentos decisivos, vide o jogo contra a Dinamarca, onde o gol de Valera deu a vitória a Portugal, que foi muito prejudicado com a atuação de CR7.

Logo, não podemos considerar a semi-final como uma desagradável surpresa na derrota de Portugal. O time teve nuances consideráveis durante o torneio, inclusive o melhor jogador português.

A segunda situação apontada ocorreu antes mesmo da Eurocopa. A semi-final da Champions League foi disputada contra a equipe de Bayern  de Munique. Se considerarmos que o jogo foi imediatamente no dia posterior da desclassificação do Barcelona diante da equipe do Chelsea, e que assim, o caminho estava aberto e livre para o Real Madrid conquistar a Liga dos Campeões e com isso, CR7 ter condições reais de se tornar o melhor do mundo, talvez o português realmente tivesse uma grande oportunidade de se aproximar de Messi.

Entretanto, se aproximar é o termo que melhor se ajusta, pois durante a competição, o argentino se apresentou com mais consistência, mantendo na maioria absoluta dos jogos uma performance proporcional ao status de melhor do mundo, vide o numero de gols feitos na Liga 2011-12: foi o artilheiro. CR7 também passou por altos e baixos, e a vitória, mesmo nas penalidades, do Bayern de Munique foi justa, contando com o desperdício da cobrança de pênalti do português. Caso vencesse o duelo contra os alemães, dificilmente poderia ultrapassar Messi na artilharia, muito menos em número de bons jogos, pois restava apenas um, a Final. Resumindo, a situação não era uma barbada.

Considerando o desempenho do Português este ano, não podemos encarar com surpresa e incredulidade a não conquista destes jogos-campeonatos chaves, pois em ambas as oportunidades, a performance não foi suficiente para a conquista, e o imponderável (se é que ele é relevante na analise) não teve grande reflexo no resultado final.

Ainda temos uma etapa até a conclusão. Esta que avalia as reais condições de nossas ações e tenta mensurar se elas foram influentes o bastante para falharmos ou entre o objetivo almejado e nosso trabalho havia ainda fatores que não poderíamos controlar.

Desta forma, CR7 falhou nas oportunidades que teve, e isso pode-se atribuído ao mau desempenho, porém é quase consenso que este ano fora um dos melhores da carreira deste jogador. Então, a não conquista talvez se deu muito por conta da insuficiência em alcançar os resultados, que reflete o alto grau de dificuldade das competições que por si só explica o insucesso, do que a não contemplação de um limiar que poderia ser alcançado, e que não foi por incompetência.

Dando um passo para trás, tentando enxergar cada vez mais amplo, é questionável o argumento que coloca as conquistas destas duas competições como fator que garantiria o premio. O Balon dor é dado ao jogador que teve o melhor desempenho durante o ano, e isso nem sempre é sinônimo daquele que conseguiu alcançar os maiores títulos. Particularmente neste ano, as metas individuais foram tão gritantemente ultrapassadas, que um título da Liga dos Campeões se esmaece diante delas.

Por isso, CR7 teve as mesmas chances dos anos anteriores de ganhar o prêmio. Mas isso ainda está aquém do que ele merece.

PS.: O fato de eu não concordar com o posicionamento do Jornalista, não faz com que eu não o aceite, pelo contrário, respeito e fico agradecido por existir um posicionamento contrário do meu, pois assim, há oportunidade da discussão, apresentando argumentos em cima de argumentos. Algo que deve ser feito em uma sociedade de seres humanos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Reflexões sobre o Mundial


Às vésperas da final do Mundial de clubes da FIFA no Japão, por muitas vezes já foi retomado o velho e desgastado questionamento da real importância desta competição, principalmente no que se refere aos times europeus. Acredito ser um campo fértil de reflexões dos mais diversos pontos de vistas, que em suma, só cumpriria uma das mais interessantes características do futebol, aquela que é capaz de reunir pessoas em prol de uma discussão, proporcionando vivencias e trocas extremamente saudáveis, onde todos ganhariam, sejam por expor seu ponto de vista, ou mesmo conhecer as ideias alheias e se identificar (ou não) com elas.

Deixamos os europeus de lado. Se não fazem questão de enfatizar ou “jogar pra valer” esta competição, isto não tira o mérito das equipes, principalmente as brasileiras, de conseguir êxito na conquista desse titulo. Porém, apesar o tal desdém europeu, vejo esta competição da mesma maneira que aqueles que ganham o torneio sul-americano, principalmente o deste ano, como a Copa do Mundo de Clubes.

Naturalmente devemos fazer as devidas considerações, tendo em vista o modelo tradicional e clássico como merecedor de nossas atenções. Aquele mesmo que vigora quase hegemonicamente há décadas, desde os tempos onde a Fifa não tinha desenvolvido um meio um tanto eficiente de lucrar com a aglutinação dos campeões dos diversos continentes.

Assim sendo, o mundial interclubes é valoroso por si só. Primeiramente, devemos considerar o translado necessário para participar desta competição. Deixar o seu país em pleno verão, ao fim de uma extenuante temporada, rumo a um país distante, de cultura diferente, enfrentando temperaturas que chegam a valores negativos são fatores enriquecedores, principalmente para aqueles que participam ativamente desse processo, e que conseguem entender que a superação dos estágios anteriores ao título, mesmo aqueles mais simples, são de importância equivalente à taça.

Considerando esse primeiro aspecto, não vejo valor algum nestes projetos pilotos que foram por ventura desenvolvidos em países de clima tropical, reunindo um número desproporcional de times do país sede, trazendo clubes europeus de ambientes congelantes do inverno de final de ano, para passar alguns dias de férias, repousando nos mais luxuosos hotéis, tendo tão somente a insignificante tarefa de entrar em campo contra sei lá quem.

Falando em times do país sede, também vejo esse aspecto como enriquecedor do mundial. Se deslocar de sua pátria, para uma missão considerada como “problemática” e mesmo assim conseguir êxito é sem duvida extremamente gratificante. A distância da terra natal serve como multiplicador da sensação de dever cumprido, acrescentando o imensurável sentimento de conseguir vencer representando as cores nacionais em terras estrangeiras.

Em contraste, conseguir um título considerado internacional, enfrentando uma equipe do mesmo país não é nem de longe tão recompensador como o exemplo citado anteriormente. A quebra de rotina, por estar em um ambiente de certa forma hostil e estranho, forçando a adotar um sentimento/comportamento de coletividade e seriedade só pode ser alcançada fora de seu país. A pátria é confortável de mais, fazendo com que não consigamos realmente sentir o que está se passando a nossa volta, como também o que carregamos em nossos ombros. Em suma, não é a mesma coisa

Outro aspecto interessante está voltado ao ato heroico de enfrentar um Golias futebolístico. Chegar desacreditado, muitas vezes sendo menosprezado pela equipe adversária faz com que se fomente um sentimento de revanche, sem necessariamente ter havido um confronto anterior. O mundial aglutina várias culturas do futebol, proporcionando não uma amostra de quem realmente é mais competente, mas sim demonstrando que é possível, através desta circunstancia específica, derrubar os mais pretensiosos e preconceituosos olhares metidos a superiores, tão cheios de si, que não percebem a especialidade da ocasião. Acabam derrotados.

Agora isso não é viável quando não ocorre esse embate. Desqualifica e desfigura a competição. A estranheza e desconhecimento, aliados algumas vezes à soberba e indiferença dão os contornos mais belos deste acontecimento. Aos que não tiveram essa experiência e acabaram “ganhando” - sua conquista é tão valiosa, que o troféu nem é rotativo, não é objeto de ganancia de ninguém. Façam bom proveito.

Por essas e outras coisas compreendo e até concordo com a ideia de colocar de importância superior a essa competição em detrimento da Libertadores, desde que sejam feitas as devidas ressalvas e considerações. Caso contrário, caímos na armadilha mortal de desprezar algo que já é alvo das mais injustas avaliações e valorizar torneios de colônias de férias fora de época, tendo os participantes escolhidos a esmo, sabe-se por que motivo. Na verdade, sabe-se sim.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O TEMPO E A CAPACIDADE DE SE ADAPTAR


Estava assistindo um vídeo bastante interessante do jornalista PVC no site da ESPN. Entre outras coisas, PVC trazia algumas considerações sobre o posicionamento não mutável do Barcelona de Tito Vila Nova, sempre no 4-3-3, contrastando com Pep que variava do 4-3-3 para 3-4-3 constantemente. Mas, além disso, ao final do vídeo, PVC lançou um questionamento, colocando em dúvida se hoje o Barcelona ainda é possuidor do status de melhor equipe disparada de futebol do mundo.

Obviamente a resposta é não. Apesar do estupendo início de temporada, com 14 partidas de invencibilidade (só quebrada na quarta rodada da Liga dos Campeões contra o Celtic), o time do Barcelona sofre para vencer equipes cada vez melhores defensivamente, cumprindo uma espécie de cronograma tático a risca, não permitindo chances de gols dos catalães.

Alguns comportamentos são merecedores de destaque. Antigamente, (estranho, só faz 4 anos) as equipes que os enfrentavam buscavam tomar a posse de bola em qualquer parte do campo, deixando muitas vezes um grande espaço entre a linha de zagueiros e a de meio campistas, que iam de encontro contra quem estava com a bola, para tentar um desarme. Hoje, as equipes preferem deixar o Barça ficar com a bola, se postando firmemente em frente de sua grande área, não permitindo que a linha de meio-campistas tente um desarme precipitado, deixando-os bem próximos aos zagueiros. Ao recuperarem a bola, ou buscam o contra-ataque, com investidas pelas laterais, ou então evitam que o Barcelona consiga recuperar a bola próximo ao local onde a mesma foi perdida. Neste instante, o time catalão se recompõe formando um bloco e flutua até a nova faixa de campo onde se encontra a bola, para pressionar, diminuindo os espaços para troca de passes. Porém, após esse deslocamento do bloco é criado um espaço no flanco oposto de campo, propiciando rupturas de jogadores rápidos em jogadas de ataque rápido, e não contra-ataque.

Prova disso está nos números de posse de bola absurdos no primeiro tempo, onde beiravam aos 83 por cento para os espanhóis. Algo que se tornou uma arma adversária, pois o momento onde o Barça tem a posse de bola, o adversário já esta com sua defesa postada, e por isso, dificulta as ações ofensivas, como também não proporciona momentos de desestabilidade defensiva ao mesmo tempo em que o Barça tem a posse. Mesmo assim, os adversários conseguem atacar de maneira eficiente, como por exemplo a partida da Escócia, conseguindo fazer dois gols.

Mas ainda prefiro ressaltar o ato heroico dessa equipe. Em muitos momentos desse jogo na Escócia, o Barça só tinha a disposição uma faixa de 15 metros, que constituíam o espaço entre a linha da grande área e o começo da intermediaria ofensiva. Neste local, se aglomeravam de 8-9 jogadores do Celtic e mais 6-7 do Barcelona. Esse tipo de situação enfrentada frequentemente por uma particular equipe é atípica na maioria dos jogos de todos os campeonatos europeus, como também é raro que tal situação persiste em um período de tempo considerável da partida.



Com todos esses problemas, um dos maiores prejudicados é Messi. O jogador acostumado a jogar de falso nove agora tem ao seu redor muitos defensores, que evitam até mesmo o domínio de bola por parte do argentino. Além da superioridade numérica, as características físicas desse jogador não são as mais apropriadas para jogar de costas para o gol, muito menos disputar lances pelo alto. Contudo, a velocidade de reação, juntamente com movimentos imprevisíveis e eficientes ainda funcionam, mas em quantidade cada vez menor, prejudicando o andamento das ações ofensivas.

Outro fator que dificulta para Messi são as constantes mudanças na lateral direita, posição essa que tanto o ajudou em anos anteriores. Alves já não é tão eficiente como em outrora, Adriano não tem a mesma qualidade, e Montoya ainda é jovem e de características diferentes. Aliados a tudo isso, temos também a chegada de Alba, que joga pela esquerda (flanco contrario a Messi) forçando o lateral oposto a recompor mais vezes a defesa quando a equipe ataca. Nas temporadas anteriores isso não acontecia, pois Abidal jogava muito recuado, dando liberdade a Alves para ajudar Messi pela direita.

A meu ver, além dos espetáculos que surpreendiam e maravilhavam os torcedores, o Barça também proporcionou uma espécie de aprimoramento das defesas adversárias, que gradativamente construíam coletivamente (com as experiências de todas as equipes) uma forma eficaz de defender, que se mostra pronta e bastante eficaz nesta temporada. Talvez o Barça não tenha a mesma capacidade de se adaptar aos aprimoramentos defensivos dos adversários, na mesma proporção que os adversários se adaptaram a forma ofensiva de jogar espanhola. Vale ressaltar que esse período de adaptação foi longo e dividido entre muitas equipes, tempo esse que o Barcelona não terá se ainda almeja ser portador do status de melhor equipe disparada do mundo.


sábado, 6 de outubro de 2012

Expectativas para o clássico


Menos de 2 meses após o ultimo confronto, Barça e Madrid se enfrentarão neste domingo no Camp Nou. Por ocorrer tão brevemente em relação ao jogo anterior, não imagino um panorama muito diferente do que tivemos na Super Copa da Espanha.
Apesar de oito pontos de diferença, Madrid têm importantes motivos para acreditar em mais um triunfo em solo catalão. Muitos deles talvez só emergiram como coringas animadores após a “crise” que se passou nas primeiras semanas da temporada. Aparentemente, Mourinho conseguiu aproveitar bem a situação de desequilíbrio para identificar as fraquezas madridista que poderiam passar despercebidas após o titulo da liga passada. A relação com Sergio Ramos, o afastamento de KAKA das partidas importantes e as constantes trocas de formação, trouxeram uma melhoria na forma de jogar do Madrid, que nas ultimas 4 partidas se mostrou muito eficiente e eficaz, dando confiança aos jogadores, até mesmo àqueles que andam meio sumidos como Kaká.
Do lado Culé, o aproveitamento fantástico de 100% nas primeiras 6 partidas da liga espanhola deram além de algumas marcas históricas, uma confiança e crédito que se mostraram fundamentais neste período de transição. O bom começo de campeonato amenizou a derrota da Super Copa, como também a desconfiança o novo técnico Tito. As reviravoltas nas ultimas partidas do campeonato espanhol ao menos demonstraram que a equipe ainda possui aquela vontade arrebatadora de vitória, não sendo perdida pela saída de uma das principais figuras dos 4 anos vitoriosos passados.
Talvez até seja obviedade esperar uma partida que os pontos fracos irão ser fundamentais para o vencedor, não somente no aspecto de tentar diminuir ao máximos as fraquezas de sua equipe, mas sim de conseguir identificar o menor erro adversário, mesmo aquele que se sucederá momentaneamente, e através de suas qualidades conseguir obter êxito logo em seguida, dando um golpe doloroso na confiança do oponente.
Não consigo encontrar pontos fracos tão gritantes do lado madrilista, como há do lado do Barcelona. Em primeiro lugar, com a chegada de Jordi Alba, a equipe ficou ainda mais vulnerável, pois as subidas dos dois laterais, em algumas ocasiões simultâneas, deixam a dupla de centrais desguarnecida, tendo como reforço apenas Busquet, que além de desfalcar o meio campo, criando uma lacuna naquele setor, não se mostra muito eficiente em recompor a defesa nos contra-ataques. Os dois zagueiros jogam de certa forma improvisados, sendo um deles (Song) sem a devida adequação ao modelo de jogo do Barcelona, que em muitas vezes se mostra muito complexo para o novato em questão. Mascherano ainda peca nas jogadas áreas tanto em bolas paradas ou em lançamentos longos, ainda mais quando o adversário posiciona um centroavante entre os dois centrais, a espera de uma bola em profundidade aproveitando muitas vezes o grande espaço criado entre a linha de zagueiros e a meta de Valdes. Talvez fosse necessário neste caso, colocar um terceiro homem na sobra, talvez.
O lado madrilista já se mostrou no ultimo confronto na Catalunha inconstante, pois não conseguiu manter o ritmo de marcação durante toda a partida, e quando se dispôs tentar tomar conta da partida, deu espaços demasiados no setor de meio campo, oportunizando a ação de Iniesta e Messi, juntamente com a chegada inesperada de Xavi na área para finalizar em gol. Mesmo sendo em breves momentos, descuidos como esse tem consequência aguda no placar no final da partida.
Para os que não torcem pelas equipes envolvidas, só restará saborear o jogo de forma privilegiada, podendo observar os comportamentos extremamente evoluídos das duas equipes e quem sabe, nos mais loucos devaneios, imaginar os times brasileiros jogando de forma semelhante, que iria fomentar ainda mais a criatividade que temos em solo tupiniquim. Todos sairiam ganhando. Enquanto isso não chega, é melhor que aproveitemos o que vem de fora.

sábado, 29 de setembro de 2012

PARA OS CAPAZES, RESPONSABILIDADE!



Dá para traçar o panorama do jogo, apenas com uma avaliação da atuação de Lionel Messi. Um jogador sem recursos, muitas vezes desligado da partida, não tendo conseguido superar os problemas que apareciam adiante, que, diga-se de passagem, eram enormes pela força da marcação da equipe do Sevilla. Na tentativa de mudar a situação, tentou o vão esforço de recuar, evitando bater de frente com tantos adversários, fugindo da responsabilidade de atuar nessas circunstancias como fiel da balança, desequilibrando para o lado catalão.

Esse foi o Barcelona. Sem recursos, teve uma breve posse do domínio de jogo durante os primeiros minutos e, mesmo assim, não pode chegar com qualidade à meta de Palop. Gradativamente, a equipe do Sevilla começava a se comportar verdadeiramente como um mandante: não permitindo o avanço do adversário, povoando alguns setores do campo com mais jogadores, dificultado o tal Tick taka catalão.

Não que o Sevilla mudou sua forma de jogar durante a partida. Essa talvez fosse à estratégia da equipe para este confronto: esperar o adversário atacar inicialmente. Se não estivesse naqueles dias tão assustadores, tentaria avançar a marcação e, na tomada de posse de bola, sairia logo contra-atacando, mostrando que poderia surpreender a equipe 100% no campeonato. Se se demostrasse, com alguma frequência, eficaz na retomada de jogo, forçaria a equipe adversária a recuar para tentar proteger o alvo, ao invés de se atrever a atacar a bola logo no setor de perda da posse, levando a ter um comportamento estranho a sua forma rotineira de jogar, obrigando-os a tentar recuperar a bola em um setor mais fraco (de jogadores competentes) como também mais vulnerável (perto da baliza).

Diante da “mudança” de “postura” do Sevilla, (que não teve nada de repentino e circunstancial), o Barcelona se desligou da partida, muito por conta da atuação naquele momento de alguns jogadores, principalmente do meio campo para frente. Os ataques eram dispersos, como sua frágil dupla de centrais, que sofriam nas investidas, principalmente de contra-ataques oriundo de bolas “bobas” perdidas na intermediaria de ataque. Foi desta maneira que o placar foi inaugurado. Gol do Sevilla.

Forçado a atuar com posturas estranhas que traziam desvantagem, era esperado que houvesse uma contrapartida do lado catalão, a tentar colocar o time em algo que se aproximasse de um equilíbrio, que naquela situação, ao menos daria armas para enfrentar o problema adiante. O caminho percorrido nem chegou perto do tal equilíbrio desejado, pois insistia em jogadas inúteis -  como as tentativas sem sucesso por dentro, batendo de frente com as linhas defensivas extremamente competentes e conscientes de como se comportar – que só afirmavam ainda mais a superioridade do Sevilla(em termos de eficiência do que foi proposto por cada equipe), inflamando a torcida local, que já almejava mais um triunfo, agora em cima do outro Gigante insuperável espanhol.

Após tomar o segundo gol, a investida foi renunciar totalmente a maneira habitual e equilibrada de jogar e tentar uma espécie de plano B. No desespero, entraram em campo mais dois atacantes, sacando um lateral e o volante. Apesar de não desempenharem um desempenho memorável, não eram eles, especificamente, o problema a ser solucionado, mas é mais fácil fugir da responsabilidade, colocando mais poderio ofensivo, “reforçando e ajudando” os que realmente eram responsáveis por aquele resultado, do que delegar a eles a retomada da postura que normalmente possuem.

Naturalmente, com tanta presença de área, naquele momento foi percebido um avanço acentuado da equipe catalã, que também era reflexo do sentimento de tudo ou nada que emerge nessas situações em times quase derrotados. A meu ver, um maior volume nos ataques se deu por conta da postura do Sevilla. Já tendo o resultado pretendido alcançado, recuou as linhas defensivas, como também as aproximou bloqueando as investidas pelo centro. Abdicando de um balanço ofensivo, quase sacou os dois jogadores que tentavam os contra ataques (Jesus, Negredo). Como resultado, conseguiu eliminar qualquer probabilidade – desde a simples tentativa – de contra-ataque do lado catalão, que pudesse se aproveitar de uma defesa desarmada em razão de uma investida ofensiva desnecessária. Analisando as circunstâncias, nada de anormal ou errado.

No meio disso tudo, o Barcelona tinha o seu principal jogador atravessando uma das piores jornadas em anos. Duas tentativas de gols bloqueadas por grandes defesas de Palop foram ofuscadas pelos passes errados, jogadas desarmadas que inclusive resultaram em gol adversário e a apatia que aparentemente fazia:
1.  os outros companheiros de equipe não confiarem tanto no argentino (como faziam ao se  deparar com qualquer dificuldade);
2. os adversários a se atreverem a desarma-lo logo no primeiro movimento (o de domínio de bola, já emendado no primeiro drible).

Mas quando tudo estava encaminhado para a derrota catalã, houve o resgate de responsabilidade tanto citada neste texto. Fàbregas finalmente pode ser decisivo em uma importante partida fazendo dois gols. E Messi se atreveu a enfrentar o bloqueio adversário bem próximo a grande área, setor esse que estava completamente povoado por jogadores vestidos de branco. Apesar disso, foi capaz de fazer o simples: não desferiu nenhum elástico, pedalada, ou 360 º a lá Zizou, só foi necessário dominar a bola e passá-la, colocando os companheiros frente a frente com o goleiro.

E foi assim que até a sexta rodada, a liga espanhola ainda tem um time 100%. Basta agora saber se essa atuação será avaliada devidamente procurando identificar as falhas ou será aceita como ato heroico, tratando o tal comportamento 100% como suficiente para o resto da temporada.

domingo, 23 de setembro de 2012

Dificuldades para os catalães




Foi com extrema dificuldade que o Barcelona conseguiu sustentar o aproveitamento de 100 % na liga espanhola diante da equipe do Granada. Um jogo bastante parecido com a estreia na liga dos campeões, acendendo um sinal amarelo, advertindo sobre um comportamento adversário que a cada dia vai se aperfeiçoando e restringindo a maneira culé de jogar.

Durante toda a partida, o Barça teve muitas dificuldades em conseguir adentrar na área do Granada em condições favoráveis de finalização, o que também pode ser indicio da falta de entrosamento do trio ofensivo escalado com Messi centralizado, Alexis pela direita e Villa na esquerda, que aliás não jogava como titular a muito tempo, desde novembro de 2011. Mas mesmo assim, a defesa da equipe do Granada permitiu duas finalizações catalãs, devidamente contidas pelos zagueiros e com grande participação do goleiro Toño.

Nesta situação, já começa a ser visível a falta de opções da equipe catalã em romper o muro adversário que, marcando em zona, com duas linhas de 4 jogadores, mais um atacante recuado ajudando a dificultar as troca de passes iniciais, eliminava qualquer tentativa  de  construção de jogada mais aguda, principalmente aquelas que partiam dos pés de Busquet no meio campo.

Já há algum tempo Messi costuma jogar centralizado, como um falso nove, mais próximo do gol. Desta forma, o argentino é muito eficaz nas transições ofensivas, onde podia receber a bola em um setor mais próximo da meta adversária, e como tem um grande potencial em enfrentar com êxitos situações 1vs1 quando vem de encontro ao zagueiro em velocidade com a bola colada nos pés, a quantidade de finalizações trouxe para o seu currículo o encargo de ser o homem gol do Barcelona.

Entretanto, tal situação acontecia em outrora (entre outros fatores) pelo espaço que o argentino obtinha com a marcação adversária, que sempre se desfazia ou se desorganizava após a quantidade absurda de passes rápidos e movimentações em ruptura que os outros espanhóis costumavam fazer. Agora, o panorama é um pouco diferente, pois as equipes passaram a aceitar a posse de bola catalã, situando as linhas defensivas no máximo na linha 3 (centro de campo). E como os defensores buscam colocar o máximo de jogadores cercando a meta e Messi se acostumou a jogar naquele setor, a cada jogo fica mais difícil à circulação de bola e os dribles de Messi. Uma opção adotada pelo jogador é o recuo para receber a bola em zona menos “povoadas” de defensores, porém, estas são mais afastadas da meta, o colocando em outra dificuldade: não ser tão objetivo e de ter uma quantidade de adversários muito maior a frente com o intuito de conte-lo. Já não são tão frequentes os dribles seguidos.

Neste ponto, vimos o quão importante foi o Barcelona deste últimos anos, que além de causar admiração pela qualidade os espetáculos, também despertou a necessidade de adaptação com esta maneira peculiar de jogar, proporcionando um desconforto aos adversários que partiram em busca de uma forma ou comportamento que proporcionasse equiparar ou ao menos diminuir a diferença brutal de eficiência entre o ataque catalão e as defesas de outras equipes.

E talvez seja essa evolução das outras equipes no aspecto tático que fez com que a facilidade em vencer as partidas fosse, a cada temporada, diminuída até chegarmos ao ponto de ter a equipe do Granada conseguir durante grande parte da partida, ser eficiente em frear os ataques com uma defesa bem posicionada, como também ser eficaz nas transições ofensivas que só não tiveram o mesmo desfecho da partida do Spartak (onde conseguiu fazer gol oriundo de um contra-ataque rápido) por incompetência dos avançados e intervenção milagrosa de Valdés.

Vale lembrar que a equipe do Granada tem uma espécie de convenio com o time italiano da Udinese. Convenio este que ajudou na ascensão meteórica que trouxe a equipe da 3ª divisão espanhola até a primeira em apenas dois anos. E por que não acreditar que essa parceira não se restringiu somente nos aspectos financeiros e de troca de jogadores, mas que pode também gerar um intercambio de conhecimento, trazendo a eficiência e competência italiana em defender tão reconhecida no futebol para o lado espanhol? Logo, não seria tão fraca tal equipe e a grande atuação defensiva contra o Barcelona não poderia ter explicação somente na incompetência catalã.

Também deve ser destacado que essa dificuldade em jogar diante de equipes que adotam esse comportamento foi identificada durante a partida. Prova disso é que Tito mudou a forma de atuar da equipe, trocando para uma formação extremamente ofensiva, colocando Pedro, e Tello posicionados nas extremidades, com Alexis centralizado fazendo o papel de atacante, fazendo os defensores se preocuparem com um jogador dentro de sua grande área. Já Messi foi recuado para o meio campo, para justamente receber a bola mais livremente. Assim a equipe conseguiu obter uma participação mais objetiva do argentino e não perdeu o poder ofensivo, pois tinha presença maciça na área adversária.

Com essa atitude, foi notado que o Barça era mais agudo quando tentava ter mais amplitude nas jogadas, utilizando movimentações nas extremidades, que sempre terminavam em ataques até a linha de fundo, com passes rápidos para dentro da área e jogadores entrando com velocidade maior ainda. Desta maneira, o Barcelona pode finalizar mais, porém não melhor.

Outro sinal de alerta foi dado na defesa. Com as contusões de Puyol e Pique, que provavelmente os tirarão do clássico do dia 7 de outubro com o Real Madrid, a dupla de centrais deva ser mesmo Mascherano e Song. Ao menos nesta partida, essa dupla se mostrou muito frágil nos contra ataques, não se recompondo como deveria, e perdendo sucessivas vezes nos confrontos 1vs1. Mourinho deve explorar essa fragilidade ao extremo.

Para finalizar, temos Messi que apesar de estar com dificuldades nestas primeiras jornadas, não podendo render nem 30% que pode, já é o artilheiro da competição nacional espanhola, com 6 gols e tem 2 gols na UCL. Em 2012, já são 61. Bom, este assunto cada um que analise como queira.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

E poderia ter sido uma tragédia...


Apenas 4 pontos em 4 jogos, rumores e mais rumores de problemas de relacionamento dentro do plantel com foco na figura do treinador, a grande estrela do time se ‘autoproclamando’ triste, e o principal rival disparando a galopes largos na liga nacional. Tudo isso foi carregado nas costas dos madrilistas na tarde desta terceira feira. E com toda essa sobrecarga, não seria devaneio algum esperar um mal resultado no Bernabeu diante da equipe do Manchester City.

Como num filme dramático que varias vezes os apreciadores de futebol já assistiram, o Real abusou das chances perdidas no primeiro tempo. CR7 teve caminho aberto na faixa esquerda do campo - por muito facilitada pela atuação do lateral Maycon e do zagueiro Kompany - e como de costume atormentou a defesa adversária, só faltou o gol.

A cada minuto que se passava eram visíveis as reais intenções - já declaradas antes do jogo pelo treinador - da equipe inglesa que se fechava cada vez mais, parecendo que os madrilistas pouco a pouco empurravam as linhas defensivas inglesas em direção a meta. Ainda mais com a contusão do Frances Nasri, fazendo com que Mancini colocasse Kolarov na partida, reforço defensivo!

Tendo uma equipe concentrada toda em frente de sua área, naturalmente haveria mais espaço e tempo para trabalhar a bola, e pensar em o que fazer. Pensando logicamente, isso resultaria em ações mais planejadas e, contando com a competência dos madrilistas, suficientemente eficazes para conseguir um resultado que ao menos trouxesse os 3 pontos. Mas um ingrediente a mais atenuava todas essas “condições favoráveis”, tal ingrediente pôs o Real Madrid prestes a cair numa grande armadilha.

Esse ingrediente era a pressão. E a cada minuto passado havia um acréscimo de nervosismo no ar, multiplicado a cada chance perdida de gol, juntamente com as intervenções de Joe Hart. Neste momento, os dribles plásticos e cinematográficos de CR7 não eram mais tão encantadores para os torcedores que pareciam já prever o pior.

E o pior aconteceu. Numa bola sobrada de um ataque ineficiente madrilista, Touré brigou bravamente com Pepe, ganhando a disputa. A arrancada só foi interrompida com o passe que deixou Dzeko na cara de Casillas. O desespero e desanimo do goleiro se jogando ao solo de braços abertos após o gol demonstra a incredulidade do espanhol em estar passando por um momento tão adverso.

E não é só Casillas que parece não acreditar neste começo de temporada tão ruim da equipe Madrilista. Fatores como a permanência de todos os jogadores da temporada passada que, aliás, foi vitoriosa com a conquista da liga nacional, a contratação do tão valorizado Lukas Modric, a importante vitoria na Super Copa da Espanha diante do Barcelona poderiam dar mais confiança e, de certo modo, união para a equipe entrar na temporada 2012/13 despontando com bons resultados e belas aparições. Várias são as teorias da conspiração criadas para explicar a crise, todas absurdamente feitas com o intuito de conseguir desestabilizar mais a situação (como também lucrar com toda essa aparição e importância atual do tema), que pouco ajudam no interesse principal, identificar o problema e a partir disso, re-organizar o caminho para colocar a equipe nos eixos novamente.

Voltando ao jogo, a equipe madrilista conseguiu o empate, com Marcelo acertando um lindo chute, que logo foi perdido com o gol de falta de Kolarov. Após isso, foi um ‘Deus nos acuda’, um lapso de desespero responsável pela ida irresponsável ao campo de ataque por parte da equipe espanhola, e da falta de atenção somada com um comportamento acanhado, que mesmo acontecendo por alguns minutos, deu a vitoria para o Real Madrid. Girando na frente da grande área, Benzema chutou rasteiro, contando no mínimo com a ‘insuficiente’ velocidade de reação do goleiro da seleção Inglesa Joe Hart. Logo após, contando com a desorganização do Man City, CR7 pela esquerda, limpando para dentro acertou um chute quase despretensioso, indo em direção dos braços de Joe Hart. Um segundo depois, o Bernabeu foi a delírio, tendo Mourinho e CR7 exatamente a mesma comemoração do trunfo que naquele momento era dado como impossível. Fantástico! Frangástico!

E parece que apesar da desorganização e caos ditos anteriormente, foi a partir deles é que se pode traçar ou começar uma reação. Essa partida foi inspiradora e pode trazer a união em um objetivo que esse time tanto precisava. Talvez Mourinho estivesse certo quando disse que a equipe precisava de jogos difíceis para voltar a jogar bem, pois tais jogos trazem de volta a concentração e o estresse tão comum no futebol que às vezes desaparece nas situações demasiadas confortáveis e cômodas, que quase sempre terminam em tropeços extremamente destacados por todos, encaminhando tragicamente para a interrupção e fim de um grande trabalho. Ainda bem que desta vez, isso não irá acontecer.