Foi com extrema dificuldade que o Barcelona conseguiu sustentar o aproveitamento de 100 % na liga espanhola diante da equipe do Granada. Um jogo bastante parecido com a estreia na liga dos campeões, acendendo um sinal amarelo, advertindo sobre um comportamento adversário que a cada dia vai se aperfeiçoando e restringindo a maneira culé de jogar.
Durante toda a partida, o Barça teve muitas dificuldades em conseguir adentrar na área do Granada em condições favoráveis de finalização, o que também pode ser indicio da falta de entrosamento do trio ofensivo escalado com Messi centralizado, Alexis pela direita e Villa na esquerda, que aliás não jogava como titular a muito tempo, desde novembro de 2011. Mas mesmo assim, a defesa da equipe do Granada permitiu duas finalizações catalãs, devidamente contidas pelos zagueiros e com grande participação do goleiro Toño.
Nesta situação, já começa a ser visível a falta de opções da equipe catalã em romper o muro adversário que, marcando em zona, com duas linhas de 4 jogadores, mais um atacante recuado ajudando a dificultar as troca de passes iniciais, eliminava qualquer tentativa de construção de jogada mais aguda, principalmente aquelas que partiam dos pés de Busquet no meio campo.
Já há algum tempo Messi costuma jogar centralizado, como um falso nove, mais próximo do gol. Desta forma, o argentino é muito eficaz nas transições ofensivas, onde podia receber a bola em um setor mais próximo da meta adversária, e como tem um grande potencial em enfrentar com êxitos situações 1vs1 quando vem de encontro ao zagueiro em velocidade com a bola colada nos pés, a quantidade de finalizações trouxe para o seu currículo o encargo de ser o homem gol do Barcelona.
Entretanto, tal situação acontecia em outrora (entre outros fatores) pelo espaço que o argentino obtinha com a marcação adversária, que sempre se desfazia ou se desorganizava após a quantidade absurda de passes rápidos e movimentações em ruptura que os outros espanhóis costumavam fazer. Agora, o panorama é um pouco diferente, pois as equipes passaram a aceitar a posse de bola catalã, situando as linhas defensivas no máximo na linha 3 (centro de campo). E como os defensores buscam colocar o máximo de jogadores cercando a meta e Messi se acostumou a jogar naquele setor, a cada jogo fica mais difícil à circulação de bola e os dribles de Messi. Uma opção adotada pelo jogador é o recuo para receber a bola em zona menos “povoadas” de defensores, porém, estas são mais afastadas da meta, o colocando em outra dificuldade: não ser tão objetivo e de ter uma quantidade de adversários muito maior a frente com o intuito de conte-lo. Já não são tão frequentes os dribles seguidos.
Neste ponto, vimos o quão importante foi o Barcelona deste últimos anos, que além de causar admiração pela qualidade os espetáculos, também despertou a necessidade de adaptação com esta maneira peculiar de jogar, proporcionando um desconforto aos adversários que partiram em busca de uma forma ou comportamento que proporcionasse equiparar ou ao menos diminuir a diferença brutal de eficiência entre o ataque catalão e as defesas de outras equipes.
E talvez seja essa evolução das outras equipes no aspecto tático que fez com que a facilidade em vencer as partidas fosse, a cada temporada, diminuída até chegarmos ao ponto de ter a equipe do Granada conseguir durante grande parte da partida, ser eficiente em frear os ataques com uma defesa bem posicionada, como também ser eficaz nas transições ofensivas que só não tiveram o mesmo desfecho da partida do Spartak (onde conseguiu fazer gol oriundo de um contra-ataque rápido) por incompetência dos avançados e intervenção milagrosa de Valdés.
Vale lembrar que a equipe do Granada tem uma espécie de convenio com o time italiano da Udinese. Convenio este que ajudou na ascensão meteórica que trouxe a equipe da 3ª divisão espanhola até a primeira em apenas dois anos. E por que não acreditar que essa parceira não se restringiu somente nos aspectos financeiros e de troca de jogadores, mas que pode também gerar um intercambio de conhecimento, trazendo a eficiência e competência italiana em defender tão reconhecida no futebol para o lado espanhol? Logo, não seria tão fraca tal equipe e a grande atuação defensiva contra o Barcelona não poderia ter explicação somente na incompetência catalã.
Também deve ser destacado que essa dificuldade em jogar diante de equipes que adotam esse comportamento foi identificada durante a partida. Prova disso é que Tito mudou a forma de atuar da equipe, trocando para uma formação extremamente ofensiva, colocando Pedro, e Tello posicionados nas extremidades, com Alexis centralizado fazendo o papel de atacante, fazendo os defensores se preocuparem com um jogador dentro de sua grande área. Já Messi foi recuado para o meio campo, para justamente receber a bola mais livremente. Assim a equipe conseguiu obter uma participação mais objetiva do argentino e não perdeu o poder ofensivo, pois tinha presença maciça na área adversária.
Com essa atitude, foi notado que o Barça era mais agudo quando tentava ter mais amplitude nas jogadas, utilizando movimentações nas extremidades, que sempre terminavam em ataques até a linha de fundo, com passes rápidos para dentro da área e jogadores entrando com velocidade maior ainda. Desta maneira, o Barcelona pode finalizar mais, porém não melhor.
Outro sinal de alerta foi dado na defesa. Com as contusões de Puyol e Pique, que provavelmente os tirarão do clássico do dia 7 de outubro com o Real Madrid, a dupla de centrais deva ser mesmo Mascherano e Song. Ao menos nesta partida, essa dupla se mostrou muito frágil nos contra ataques, não se recompondo como deveria, e perdendo sucessivas vezes nos confrontos 1vs1. Mourinho deve explorar essa fragilidade ao extremo.
Para finalizar, temos Messi que apesar de estar com dificuldades nestas primeiras jornadas, não podendo render nem 30% que pode, já é o artilheiro da competição nacional espanhola, com 6 gols e tem 2 gols na UCL. Em 2012, já são 61. Bom, este assunto cada um que analise como queira.






0 comentários:
Postar um comentário