Dá para traçar o panorama do jogo, apenas com uma avaliação da atuação de
Lionel Messi. Um jogador sem recursos, muitas vezes desligado da partida, não
tendo conseguido superar os problemas que apareciam adiante, que, diga-se de
passagem, eram enormes pela força da marcação da equipe do Sevilla. Na
tentativa de mudar a situação, tentou o vão esforço de recuar, evitando bater
de frente com tantos adversários, fugindo da responsabilidade de atuar nessas
circunstancias como fiel da balança, desequilibrando para o lado catalão.
Esse foi o Barcelona. Sem recursos, teve uma breve posse do domínio de jogo
durante os primeiros minutos e, mesmo assim, não pode chegar com qualidade à
meta de Palop. Gradativamente, a equipe do Sevilla começava a se comportar
verdadeiramente como um mandante: não permitindo o avanço do adversário,
povoando alguns setores do campo com mais jogadores, dificultado o tal Tick
taka catalão.
Não que o Sevilla mudou sua forma de jogar durante a partida. Essa talvez
fosse à estratégia da equipe para este confronto: esperar o adversário atacar
inicialmente. Se não estivesse naqueles dias tão assustadores, tentaria avançar
a marcação e, na tomada de posse de bola, sairia logo contra-atacando,
mostrando que poderia surpreender a equipe 100% no campeonato. Se se demostrasse,
com alguma frequência, eficaz na retomada de jogo, forçaria a equipe adversária
a recuar para tentar proteger o alvo, ao invés de se atrever a atacar a bola
logo no setor de perda da posse, levando a ter um comportamento estranho a sua
forma rotineira de jogar, obrigando-os a tentar recuperar a bola em um setor
mais fraco (de jogadores competentes) como também mais vulnerável (perto da
baliza).
Diante da “mudança” de “postura” do Sevilla, (que não teve nada de
repentino e circunstancial), o Barcelona se desligou da partida, muito por
conta da atuação naquele momento de alguns jogadores, principalmente do meio
campo para frente. Os ataques eram dispersos, como sua frágil dupla de
centrais, que sofriam nas investidas, principalmente de contra-ataques oriundo
de bolas “bobas” perdidas na intermediaria de ataque. Foi desta maneira que o
placar foi inaugurado. Gol do Sevilla.
Forçado a atuar com posturas estranhas que traziam desvantagem, era
esperado que houvesse uma contrapartida do lado catalão, a tentar colocar o
time em algo que se aproximasse de um equilíbrio, que naquela situação, ao
menos daria armas para enfrentar o problema adiante. O caminho percorrido nem
chegou perto do tal equilíbrio desejado, pois insistia em jogadas inúteis
- como as tentativas sem sucesso por
dentro, batendo de frente com as linhas defensivas extremamente competentes e
conscientes de como se comportar – que só afirmavam ainda mais a superioridade do
Sevilla(em termos de eficiência do que foi proposto por cada equipe),
inflamando a torcida local, que já almejava mais um triunfo, agora em cima do
outro Gigante insuperável espanhol.
Após tomar o segundo gol, a investida foi renunciar totalmente a maneira
habitual e equilibrada de jogar e tentar uma espécie de plano B. No desespero,
entraram em campo mais dois atacantes, sacando um lateral e o volante. Apesar
de não desempenharem um desempenho memorável, não eram eles, especificamente, o
problema a ser solucionado, mas é mais fácil fugir da responsabilidade,
colocando mais poderio ofensivo, “reforçando e ajudando” os que realmente eram
responsáveis por aquele resultado, do que delegar a eles a retomada da postura
que normalmente possuem.
Naturalmente, com tanta presença de área, naquele momento foi percebido
um avanço acentuado da equipe catalã, que também era reflexo do sentimento de
tudo ou nada que emerge nessas situações em times quase derrotados. A meu ver,
um maior volume nos ataques se deu por conta da postura do Sevilla. Já tendo o
resultado pretendido alcançado, recuou as linhas defensivas, como também as
aproximou bloqueando as investidas pelo centro. Abdicando de um balanço
ofensivo, quase sacou os dois jogadores que tentavam os contra ataques (Jesus,
Negredo). Como resultado, conseguiu eliminar qualquer probabilidade – desde a
simples tentativa – de contra-ataque do lado catalão, que pudesse se aproveitar
de uma defesa desarmada em razão de uma investida ofensiva desnecessária. Analisando
as circunstâncias, nada de anormal ou errado.
No meio disso tudo, o Barcelona tinha o seu principal jogador
atravessando uma das piores jornadas em anos. Duas tentativas de gols
bloqueadas por grandes defesas de Palop foram ofuscadas pelos passes errados,
jogadas desarmadas que inclusive resultaram em gol adversário e a apatia que
aparentemente fazia:
1. os outros companheiros de
equipe não confiarem tanto no argentino (como faziam ao se deparar com qualquer dificuldade);
2. os adversários a se atreverem a desarma-lo logo no primeiro movimento
(o de domínio de bola, já emendado no primeiro drible).
Mas quando tudo estava encaminhado para a derrota catalã, houve o resgate
de responsabilidade tanto citada neste texto. Fàbregas finalmente pode ser
decisivo em uma importante partida fazendo dois gols. E Messi se atreveu a
enfrentar o bloqueio adversário bem próximo a grande área, setor esse que
estava completamente povoado por jogadores vestidos de branco. Apesar disso,
foi capaz de fazer o simples: não desferiu nenhum elástico, pedalada, ou 360 º
a lá Zizou, só foi necessário dominar a bola e passá-la, colocando os
companheiros frente a frente com o goleiro.
E foi assim que até a sexta rodada, a liga espanhola ainda tem um time
100%. Basta agora saber se essa atuação será avaliada devidamente procurando
identificar as falhas ou será aceita como ato heroico, tratando o tal
comportamento 100% como suficiente para o resto da temporada.






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