Pages

sábado, 29 de setembro de 2012

PARA OS CAPAZES, RESPONSABILIDADE!



Dá para traçar o panorama do jogo, apenas com uma avaliação da atuação de Lionel Messi. Um jogador sem recursos, muitas vezes desligado da partida, não tendo conseguido superar os problemas que apareciam adiante, que, diga-se de passagem, eram enormes pela força da marcação da equipe do Sevilla. Na tentativa de mudar a situação, tentou o vão esforço de recuar, evitando bater de frente com tantos adversários, fugindo da responsabilidade de atuar nessas circunstancias como fiel da balança, desequilibrando para o lado catalão.

Esse foi o Barcelona. Sem recursos, teve uma breve posse do domínio de jogo durante os primeiros minutos e, mesmo assim, não pode chegar com qualidade à meta de Palop. Gradativamente, a equipe do Sevilla começava a se comportar verdadeiramente como um mandante: não permitindo o avanço do adversário, povoando alguns setores do campo com mais jogadores, dificultado o tal Tick taka catalão.

Não que o Sevilla mudou sua forma de jogar durante a partida. Essa talvez fosse à estratégia da equipe para este confronto: esperar o adversário atacar inicialmente. Se não estivesse naqueles dias tão assustadores, tentaria avançar a marcação e, na tomada de posse de bola, sairia logo contra-atacando, mostrando que poderia surpreender a equipe 100% no campeonato. Se se demostrasse, com alguma frequência, eficaz na retomada de jogo, forçaria a equipe adversária a recuar para tentar proteger o alvo, ao invés de se atrever a atacar a bola logo no setor de perda da posse, levando a ter um comportamento estranho a sua forma rotineira de jogar, obrigando-os a tentar recuperar a bola em um setor mais fraco (de jogadores competentes) como também mais vulnerável (perto da baliza).

Diante da “mudança” de “postura” do Sevilla, (que não teve nada de repentino e circunstancial), o Barcelona se desligou da partida, muito por conta da atuação naquele momento de alguns jogadores, principalmente do meio campo para frente. Os ataques eram dispersos, como sua frágil dupla de centrais, que sofriam nas investidas, principalmente de contra-ataques oriundo de bolas “bobas” perdidas na intermediaria de ataque. Foi desta maneira que o placar foi inaugurado. Gol do Sevilla.

Forçado a atuar com posturas estranhas que traziam desvantagem, era esperado que houvesse uma contrapartida do lado catalão, a tentar colocar o time em algo que se aproximasse de um equilíbrio, que naquela situação, ao menos daria armas para enfrentar o problema adiante. O caminho percorrido nem chegou perto do tal equilíbrio desejado, pois insistia em jogadas inúteis -  como as tentativas sem sucesso por dentro, batendo de frente com as linhas defensivas extremamente competentes e conscientes de como se comportar – que só afirmavam ainda mais a superioridade do Sevilla(em termos de eficiência do que foi proposto por cada equipe), inflamando a torcida local, que já almejava mais um triunfo, agora em cima do outro Gigante insuperável espanhol.

Após tomar o segundo gol, a investida foi renunciar totalmente a maneira habitual e equilibrada de jogar e tentar uma espécie de plano B. No desespero, entraram em campo mais dois atacantes, sacando um lateral e o volante. Apesar de não desempenharem um desempenho memorável, não eram eles, especificamente, o problema a ser solucionado, mas é mais fácil fugir da responsabilidade, colocando mais poderio ofensivo, “reforçando e ajudando” os que realmente eram responsáveis por aquele resultado, do que delegar a eles a retomada da postura que normalmente possuem.

Naturalmente, com tanta presença de área, naquele momento foi percebido um avanço acentuado da equipe catalã, que também era reflexo do sentimento de tudo ou nada que emerge nessas situações em times quase derrotados. A meu ver, um maior volume nos ataques se deu por conta da postura do Sevilla. Já tendo o resultado pretendido alcançado, recuou as linhas defensivas, como também as aproximou bloqueando as investidas pelo centro. Abdicando de um balanço ofensivo, quase sacou os dois jogadores que tentavam os contra ataques (Jesus, Negredo). Como resultado, conseguiu eliminar qualquer probabilidade – desde a simples tentativa – de contra-ataque do lado catalão, que pudesse se aproveitar de uma defesa desarmada em razão de uma investida ofensiva desnecessária. Analisando as circunstâncias, nada de anormal ou errado.

No meio disso tudo, o Barcelona tinha o seu principal jogador atravessando uma das piores jornadas em anos. Duas tentativas de gols bloqueadas por grandes defesas de Palop foram ofuscadas pelos passes errados, jogadas desarmadas que inclusive resultaram em gol adversário e a apatia que aparentemente fazia:
1.  os outros companheiros de equipe não confiarem tanto no argentino (como faziam ao se  deparar com qualquer dificuldade);
2. os adversários a se atreverem a desarma-lo logo no primeiro movimento (o de domínio de bola, já emendado no primeiro drible).

Mas quando tudo estava encaminhado para a derrota catalã, houve o resgate de responsabilidade tanto citada neste texto. Fàbregas finalmente pode ser decisivo em uma importante partida fazendo dois gols. E Messi se atreveu a enfrentar o bloqueio adversário bem próximo a grande área, setor esse que estava completamente povoado por jogadores vestidos de branco. Apesar disso, foi capaz de fazer o simples: não desferiu nenhum elástico, pedalada, ou 360 º a lá Zizou, só foi necessário dominar a bola e passá-la, colocando os companheiros frente a frente com o goleiro.

E foi assim que até a sexta rodada, a liga espanhola ainda tem um time 100%. Basta agora saber se essa atuação será avaliada devidamente procurando identificar as falhas ou será aceita como ato heroico, tratando o tal comportamento 100% como suficiente para o resto da temporada.

0 comentários:

Postar um comentário