Não
consigo pensar em outro termo para retratar de maneira geral o que se passou em
Mônaco nesta tarde de sexta feira. Vimos uma goleada sem procedentes (acho) em
finais entre clubes europeus, ainda mais entre os dois campeões europeus de uma
mesma temporada.
Seria
reduzido demasiado tentar restringir esse termo, tentando apontar as possíveis
falhas, sejam elas individuais ou coletivas da equipe londrina. O que quero
colocar em evidencia é como esse jogo esclareceu o atual panorama do futebol
europeu, demonstrando a fragilidade do estilo de jogo inglês diante da evolução
e desenvolvimento dos selecionados espanhóis.
O
campeonato espanhol constantemente é alvo de criticas de todas as espécies, uma
delas está voltada para a excessiva posse de bola por parte de suas equipes, a
qual não conseguem criar jogadas efetivas e abusando dos passes laterais feitos
por jogadores defensivos. Nesta partida, tal comportamento esteve do lado
londrino. No fim do primeiro tempo, a quantidade de passes da equipe do Chelsea
beirava aos 270, com posse de bola bem superior comparada com o seu adversário.
Apesar disso, os 45 minutos terminaram com o placar de 3x0 para os espanhóis. A
posse de bola é um fator que poderia colocar em vantagem qualquer time
competente, que tenha comportamentos coerentes com esse fator, como por
exemplo, velocidade nos passes e jogadores atentos as trocas de passes, sempre
participando como elemento surpresa, cobertura ofensiva, movimentações em
ruptura, recebendo um passe em profundidade. Não é o caso do Chelsea.
Também
é rotineiramente dito que além da excessiva posse de bola que só tem o intuito
de defender, não proporcionando aos adversário chances de atacar, uma das
maiores falhas das equipes que atuam neste país é a falta de agressividade com
que desenvolvem o seu jogo nas partidas. Nesta final, após a blitz feita pelos
espanhóis, grandes oportunidades foram criadas e logo de cara, 2 gols de Falcão
Garcia. Neste momento,
o encargo de buscar o resultado estava do lado londrino, diferentemente das finais
que ocorreram na temporada passada. E foi aí que podemos observar a total
estranheza em adotar comportamentos ofensivos, que não sejam os enfadonhos
contra-ataques desesperados, reféns de erros de posicionamento adversário. O
Chelsea tinha sempre mais jogadores na frente da linha da bola, mas com reações
inúteis, pois não tentavam buscar o jogo, com uma triangulação mais audaciosa,
um lançamento em profundidade feito de uma extremidade a outra, para tentar
pegar a defesa em zona espanhola desprevenida, com muito espaço na zona de
recepção do passe.
Um
dos pontos que são colocados em paralelo para demonstrar as deficiências do
estilo de jogo das equipes da liga espanhola são os comportamentos e
estratégias defensivas. Elogios supra valorizando a capacidade de organização e
re-organização dos ingleses faz com que esse aspecto seja atributo digno de
reverencia mundial, provando a eficiência inglesa em degradação do resto do
planeta. Mas nesta final, foi claramente observável a lentidão dos médios do
Chelsea em re-organizar a defesa nos contra-ataques espanhóis. Como também os
erros de posicionamento e marcação, mesmo que os defesas estivesse recompostos,
colocando o muro inglês em ineficácia diante das trocas de passes rápidas e
movimentações em direção a grande área de Petr Cech.
Também
é conhecido as severas criticas em relação aos ‘9” espanhóis, que muitas vezes
são tidos como inúteis ou inutilizáveis durante a partida por culpa dos
excessos de passes e não agressividade das equipes. Não foi o que vimos em
campo com Falcão Garcia, que em contraste com Torres, não estava isolado, mas
sim ativo e motivado, se movimentando entre os dois zagueiros, recebendo passes
de jogadores com extrema liberdade entre as duas linhas de defesa londrina.
Para um atacante no auge de uma grande carreira, fatores suficientes para
entrar na historia fazendo um Hat-trick em uma decisão final.
Os
defesas espanhóis também mostraram a falta de critério nas criticas desferidas
por aqueles que não apreciam o campeonato espanhol. Velocidade da saída de bola
buscando os laterais, capacidade de leitura de jogo, identificando o momento
certo de adiantar a ultima linha defensiva para diminuindo o espaço de jogo do
adversário, roubadas de bola constantes e qualidade na execução do passe em direção
ao campo de ataque foram atributos que durante a partida foram feitos pelos
defesas do Atlético de Madrid. As criticas que apontavam a falta de técnica,
erros de posicionamento defensivo, ultima linha de defesa que erra
constantemente na tentativa de colocar os avançados adversários em fora de
jogo, dificuldade em jogadas áreas tanto oriundas de bolas paradas ou em
movimento que são geralmente apontadas pelos donos do saber como esclarecimento
dos números de gols exorbitantes de CR7 e Messi foram identificadas do lado
londrino. David Luis e Cahill , juntamente com Ashley Cole e Ivanovic pelas
laterais, foram presas fáceis para Falcão e os outros jogadores do Atlético. O
placar não mente.
Por
tudo isso, tenho a opinião que esse jogo, muito mais do que o placar em si, foi
extremamente esclarecedor. Enquanto houver essa estabilidade em berço
esplendido dos que atuam no campeonato inglês, que se solidifica em um estilo
de jogo dependente de contra-ataques, lançamentos diretos com atacantes
dispostos a somente aproveitar a segunda bola desses jogadas, juntamente com a
“confortabilidade” dos campos de dimensões mínimas, que facilitem o jogo
defensivo e as jogadas ofensivas ditas anteriormente, o estilo espanhol se
perpetuará gradualmente, em constraste com o inglês, que pouco a pouco, além de
perder os jogadores que se destacam para as outras ligas, começa a fracassar em
competições européias, vide Manchester Utd na liga passada. Está na hora de
acordar.






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