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terça-feira, 4 de setembro de 2012

Esclarecedor...



Não consigo pensar em outro termo para retratar de maneira geral o que se passou em Mônaco nesta tarde de sexta feira. Vimos uma goleada sem procedentes (acho) em finais entre clubes europeus, ainda mais entre os dois campeões europeus de uma mesma temporada.

Seria reduzido demasiado tentar restringir esse termo, tentando apontar as possíveis falhas, sejam elas individuais ou coletivas da equipe londrina. O que quero colocar em evidencia é como esse jogo esclareceu o atual panorama do futebol europeu, demonstrando a fragilidade do estilo de jogo inglês diante da evolução e desenvolvimento dos selecionados espanhóis.

O campeonato espanhol constantemente é alvo de criticas de todas as espécies, uma delas está voltada para a excessiva posse de bola por parte de suas equipes, a qual não conseguem criar jogadas efetivas e abusando dos passes laterais feitos por jogadores defensivos. Nesta partida, tal comportamento esteve do lado londrino. No fim do primeiro tempo, a quantidade de passes da equipe do Chelsea beirava aos 270, com posse de bola bem superior comparada com o seu adversário. Apesar disso, os 45 minutos terminaram com o placar de 3x0 para os espanhóis. A posse de bola é um fator que poderia colocar em vantagem qualquer time competente, que tenha comportamentos coerentes com esse fator, como por exemplo, velocidade nos passes e jogadores atentos as trocas de passes, sempre participando como elemento surpresa, cobertura ofensiva, movimentações em ruptura, recebendo um passe em profundidade. Não é o caso do Chelsea.

Também é rotineiramente dito que além da excessiva posse de bola que só tem o intuito de defender, não proporcionando aos adversário chances de atacar, uma das maiores falhas das equipes que atuam neste país é a falta de agressividade com que desenvolvem o seu jogo nas partidas. Nesta final, após a blitz feita pelos espanhóis, grandes oportunidades foram criadas e logo de cara, 2 gols de Falcão Garcia. Neste momento, o encargo de buscar o resultado estava do lado londrino, diferentemente das finais que ocorreram na temporada passada. E foi aí que podemos observar a total estranheza em adotar comportamentos ofensivos, que não sejam os enfadonhos contra-ataques desesperados, reféns de erros de posicionamento adversário. O Chelsea tinha sempre mais jogadores na frente da linha da bola, mas com reações inúteis, pois não tentavam buscar o jogo, com uma triangulação mais audaciosa, um lançamento em profundidade feito de uma extremidade a outra, para tentar pegar a defesa em zona espanhola desprevenida, com muito espaço na zona de recepção do passe.

Um dos pontos que são colocados em paralelo para demonstrar as deficiências do estilo de jogo das equipes da liga espanhola são os comportamentos e estratégias defensivas. Elogios supra valorizando a capacidade de organização e re-organização dos ingleses faz com que esse aspecto seja atributo digno de reverencia mundial, provando a eficiência inglesa em degradação do resto do planeta. Mas nesta final, foi claramente observável a lentidão dos médios do Chelsea em re-organizar a defesa nos contra-ataques espanhóis. Como também os erros de posicionamento e marcação, mesmo que os defesas estivesse recompostos, colocando o muro inglês em ineficácia diante das trocas de passes rápidas e movimentações em direção a grande área de Petr Cech.

Também é conhecido as severas criticas em relação aos ‘9” espanhóis, que muitas vezes são tidos como inúteis ou inutilizáveis durante a partida por culpa dos excessos de passes e não agressividade das equipes. Não foi o que vimos em campo com Falcão Garcia, que em contraste com Torres, não estava isolado, mas sim ativo e motivado, se movimentando entre os dois zagueiros, recebendo passes de jogadores com extrema liberdade entre as duas linhas de defesa londrina. Para um atacante no auge de uma grande carreira, fatores suficientes para entrar na historia fazendo um Hat-trick em uma decisão final.

Os defesas espanhóis também mostraram a falta de critério nas criticas desferidas por aqueles que não apreciam o campeonato espanhol. Velocidade da saída de bola buscando os laterais, capacidade de leitura de jogo, identificando o momento certo de adiantar a ultima linha defensiva para diminuindo o espaço de jogo do adversário, roubadas de bola constantes e qualidade na execução do passe em direção ao campo de ataque foram atributos que durante a partida foram feitos pelos defesas do Atlético de Madrid. As criticas que apontavam a falta de técnica, erros de posicionamento defensivo, ultima linha de defesa que erra constantemente na tentativa de colocar os avançados adversários em fora de jogo, dificuldade em jogadas áreas tanto oriundas de bolas paradas ou em movimento que são geralmente apontadas pelos donos do saber como esclarecimento dos números de gols exorbitantes de CR7 e Messi foram identificadas do lado londrino. David Luis e Cahill , juntamente com Ashley Cole e Ivanovic pelas laterais, foram presas fáceis para Falcão e os outros jogadores do Atlético. O placar não mente.

Por tudo isso, tenho a opinião que esse jogo, muito mais do que o placar em si, foi extremamente esclarecedor. Enquanto houver essa estabilidade em berço esplendido dos que atuam no campeonato inglês, que se solidifica em um estilo de jogo dependente de contra-ataques, lançamentos diretos com atacantes dispostos a somente aproveitar a segunda bola desses jogadas, juntamente com a “confortabilidade” dos campos de dimensões mínimas, que facilitem o jogo defensivo e as jogadas ofensivas ditas anteriormente, o estilo espanhol se perpetuará gradualmente, em constraste com o inglês, que pouco a pouco, além de perder os jogadores que se destacam para as outras ligas, começa a fracassar em competições européias, vide Manchester Utd na liga passada. Está na hora de acordar.

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