Já não era sem tempo!
Nesta quinta feira voltamos a ver ‘aquele’ Barcelona que há alguns anos atrás
começava a freqüentar a nossa telinha nas tardes de meio de semana, disputando
a liga dos campeões. E que paulatinamente começava a se esmaecer dando lugar a
um time dependente de um só integrante, que naturalmente se destacava por suas
características peculiares, importantes, imprescindíveis, mas não auto-suficientes.
A exclamação tem motivo
explicito. Já no jogo de domingo na primeira jornada do campeonato espanhol, os
espanhóis iniciaram a retomada do papel principal, ou ao menos de um lugar de
destaque maior durante as partidas, não repetindo insistentemente aquela jogada
manjada, passando a bola logo que pudesse para o argentino posicionado no
centro do campo, perto da grande área, entre as duas linhas defensivas da
equipe adversária. E hoje, num jogo que exigiu muito mais, vimos que Busquet,
Xavi, Iniesta chamaram a responsabilidade.
Mas como foi e está
voltando a ser esse tal de Barcelona que têm os espanhóis como uns dos protagonistas
(e em alguns momentos, os únicos)? Fator mais esclarecedor do que Busquet não
existe. O meio campista finalmente pode sair mais, recebendo a bola em faixas
do campo que favoreçam participação mais efetiva na partida. Foram inúmeras as
ocasiões em que tivemos Busquet com a bola dominada, desferindo dribles até
então desconhecidos, espantando aqueles que o considerava uma das peças mais
fracas desse elenco, e que logo mais seria substituído pelo recém-contradado
Song.
Tivemos também a volta
das temíveis investidas dos pontas, à moda holandesa. Alexis e principalmente
Pedro foram incisivos, participando de várias jogadas e criando finalmente uma
opção para a desmontagem do já consagrado muro que se forma durante as partidas
no Camp Nou.
Ah, o tal muro defensivo.
Esse mesmo que fez o Barcelona cair algumas vezes diante de adversários técnica
e taticamente inferiores. E que teve o próprio Barcelona como fomentador dessa
forma de jogar por parte das equipes adversárias. Pois bem, na época passada, tínhamos
um time que sempre insistia nas jogadas centralizadas, confiando muito no seu
trio de médios extremamente competentes, mas que já não sabiam como se
comportar para resolver essa situação. Naturalmente a insistência tinha motivo:
Messi, que sempre quebrava a sequencias de passes inúteis e tentava uma jogada
mais objetiva, que nem sempre funcionava. Identificando tal característica, uma
mudança de enfrentamento por parte da equipe adversária foi sendo testada, e
com sucesso. A abdicação da posse de bola, estreitamento das linhas defensivas,
juntamente com o surgimento de defensores quase Kami Kazes, que partiam conscientes
de levar um drible desconcertante de Messi, tendo um companheiro na cobertura
para desequilibra-lo, preparando para o terceiro defensor um argentino enfraquecido
e com o balão levemente distante dos seus pés, o suficiente para uma investida
defensiva produtiva e eficiente.
Com Tito foi diferente, ao menos nessa partida
vimos as laterais mais povoadas e participativas, tendo, além dos pontas
anteriormente citados, o lateral Dani Alves (voltando a atuar com a qualidade
que o fez ser reconhecido mundialmente) e Iniesta que volta e meia trazia a
redonda para essa faixa do campo. E poderia ter sido mais, se Jordi Alba
tivesse sido escalado. Pronto, os alicerces começaram a rachar.
Não seria louco,
ignorante e perseguidor para não ser mais um grande admirador do futebol de Lio
Messi durante a temporada passada. Os números estão ai para confirmar a grande
fase. Messi talvez seja parecido com a vela num motor de 4 tempos: não está
presente em todo o ciclo de movimentos dos pistões, mas é fundamental para todo
o processo se converter em movimento do carro, pois fornece a centelha necessária
para a explosão, e os outros integrantes e funções desempenhadas de certa forma
depende da sua atuação.
Mas nesse processo os
outros integrantes não devem ser tão submissos a tal elemento. Dar condições
durante a partida para que esse jogador possa se sentir o mais confortável e
confiante possível é o suficiente por parte dos demais. E esses mesmos devem
aparecer jogando, pois muito mais do que a soma das presenças desses jogadores
e suas respectivas funções aglutinadas é a relação que têm mutuamente, gerando
um comportamento que ocasiona em tantas jogadas estarrecedoras, capazes de
destruir qualquer defesa retrancada. Sendo fiel a essa conexão, Xavi pode
aparecer sozinho na frente de Casillas, recebendo o passe de Iniesta.
Fantástico.
Interpretando a temporada
passada aos olhos destes primeiros jogos, até podemos considerar a importância
das derrotas e insucessos apresentados pelo Barcelona. Como num organismo vivo,
os erros surgiram como um sintoma de uma doença, tendo logo em seguida o envio
de um sinal para o Sistema Nervoso, solicitando reforço absoluto para a
interrupção do incomodo – que no caso seriam as insistentes e jogadas pelo
centro que se concluía de forma deficiente. Consciente da situação, o grande
sistema soube identificar a gravidade geradora do sinal e a interpretou
perfeitamente, como um sintoma de uma doença, e ao invés de responder com um
impulso positivo para uma resolução paliativa – adicionando mais jogadores
meio-campistas para defrontar o muro - enviou um estimo negativo anulando por
completo a patologia e criando alternativas de modos de sobrevivência, que não
fosse a repetição daquele comportamento, contribuindo para a manutenção do
organismo. Um verdadeiro Feed Back.
Valeu, por enquanto, Tito.






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