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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Chance perdida?


Como mensurar que um ano de trabalho foi desperdiçado? Em primeiro momento, devemos estabelecer algum referencial que por alguns motivos não foi alcançado, identificar situações, circunstancias e atos que fizeram com que esse objetivo ficasse longe de ser concluído e por fim criar critérios dentro da realidade vivida e utilizá-los para inferir se as ações identificadas anteriormente foram relevantes para o insucesso por incompetência própria ou por fatores que não pudemos controlar.

Desta maneira, a meu ver, poderíamos analisar um ano de trabalho, sendo ele desempenhado em qualquer esfera da sociedade. E utilizando esse método, sou de posição contraria a afirmação que o competente jornalista da ESPN Mauro Cezar Pereira diz em seu videoblog, afirmando que CR7 perdeu a grande oportunidade de desbancar Lionel Messi. Na opinião do referido, CR7 teve jogos e campeonatos decisivos, que se tivesse melhor sorte, poderia com essas vitórias, ser o melhor do mundo.

De cara sabemos que o referencial para ser analisado é o Balon d’or que é entregue ao melhor jogador escolhido em uma votação envolvendo treinadores, jogadores e jornalistas. Meta ambiciosa que um jogador da qualidade de CR7, ganhador em 2008, pode ter.

A primeira circunstancia citada pelo Jornalista é a Eurocopa, que só não foi vencida pelo português pelo empecilho de uma simples disputa de pênaltis. De certa maneira, esta referencia do critério de desempate dá a entender certo desprestigio acompanhado com uma desvalorização dos méritos de quem vence, colocando o imponderável como preponderante em detrimento a competência nesse tipo disputa. Para avaliarmos esta competição, é necessário que nos reportemos a jogos anteriores, até a fase de grupos, tendo o gajo um desempenho muito abaixo do esperado, principalmente em momentos decisivos, vide o jogo contra a Dinamarca, onde o gol de Valera deu a vitória a Portugal, que foi muito prejudicado com a atuação de CR7.

Logo, não podemos considerar a semi-final como uma desagradável surpresa na derrota de Portugal. O time teve nuances consideráveis durante o torneio, inclusive o melhor jogador português.

A segunda situação apontada ocorreu antes mesmo da Eurocopa. A semi-final da Champions League foi disputada contra a equipe de Bayern  de Munique. Se considerarmos que o jogo foi imediatamente no dia posterior da desclassificação do Barcelona diante da equipe do Chelsea, e que assim, o caminho estava aberto e livre para o Real Madrid conquistar a Liga dos Campeões e com isso, CR7 ter condições reais de se tornar o melhor do mundo, talvez o português realmente tivesse uma grande oportunidade de se aproximar de Messi.

Entretanto, se aproximar é o termo que melhor se ajusta, pois durante a competição, o argentino se apresentou com mais consistência, mantendo na maioria absoluta dos jogos uma performance proporcional ao status de melhor do mundo, vide o numero de gols feitos na Liga 2011-12: foi o artilheiro. CR7 também passou por altos e baixos, e a vitória, mesmo nas penalidades, do Bayern de Munique foi justa, contando com o desperdício da cobrança de pênalti do português. Caso vencesse o duelo contra os alemães, dificilmente poderia ultrapassar Messi na artilharia, muito menos em número de bons jogos, pois restava apenas um, a Final. Resumindo, a situação não era uma barbada.

Considerando o desempenho do Português este ano, não podemos encarar com surpresa e incredulidade a não conquista destes jogos-campeonatos chaves, pois em ambas as oportunidades, a performance não foi suficiente para a conquista, e o imponderável (se é que ele é relevante na analise) não teve grande reflexo no resultado final.

Ainda temos uma etapa até a conclusão. Esta que avalia as reais condições de nossas ações e tenta mensurar se elas foram influentes o bastante para falharmos ou entre o objetivo almejado e nosso trabalho havia ainda fatores que não poderíamos controlar.

Desta forma, CR7 falhou nas oportunidades que teve, e isso pode-se atribuído ao mau desempenho, porém é quase consenso que este ano fora um dos melhores da carreira deste jogador. Então, a não conquista talvez se deu muito por conta da insuficiência em alcançar os resultados, que reflete o alto grau de dificuldade das competições que por si só explica o insucesso, do que a não contemplação de um limiar que poderia ser alcançado, e que não foi por incompetência.

Dando um passo para trás, tentando enxergar cada vez mais amplo, é questionável o argumento que coloca as conquistas destas duas competições como fator que garantiria o premio. O Balon dor é dado ao jogador que teve o melhor desempenho durante o ano, e isso nem sempre é sinônimo daquele que conseguiu alcançar os maiores títulos. Particularmente neste ano, as metas individuais foram tão gritantemente ultrapassadas, que um título da Liga dos Campeões se esmaece diante delas.

Por isso, CR7 teve as mesmas chances dos anos anteriores de ganhar o prêmio. Mas isso ainda está aquém do que ele merece.

PS.: O fato de eu não concordar com o posicionamento do Jornalista, não faz com que eu não o aceite, pelo contrário, respeito e fico agradecido por existir um posicionamento contrário do meu, pois assim, há oportunidade da discussão, apresentando argumentos em cima de argumentos. Algo que deve ser feito em uma sociedade de seres humanos.

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