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terça-feira, 10 de julho de 2012

E o que dizer sobre Terry?





Os últimos dias foram marcantes na carreira de John Terry. Acusado de ter dito ofensas de “teor” racista para o também zagueiro Anton Ferdinand, Terry tenta de todas as formas se safar das acusações e amenizar sua imagem que está bem longe de ser limpa.
Dentro de um campo de futebol, existem as mais variadas personalidades e índoles, que durante os 90 minutos passam por as mais difíceis situações de convivência, tendo como objetivo comum entre todos a vitória. E nesta disputa naturalmente poderá haver troca de ofensas entre os adversários, que podem surgir de tentativas de desestabilizar o adversário, rusgas passadas etc, etc, etc. Entretanto, não podemos tolerar no futebol, nem em qualquer esfera da sociedade, manifestações racistas. É repugnante tal ato, e quando se tem provas do crime dentro de campo, as autoridades devem ir até as ultimas conseqüências
Terry seria um caso perfeito para apresentar as possíveis punições que a justiça, de forma implacável, estabeleceria para os casos de racismo. Um grande jogador, capitão de sua equipe e da seleção nacional da Inglaterra severamente punido poderia passar a imagem de que os órgãos competentes estão alertas para a questão de racismo no futebol. Mas não é bem assim que acontece.
Talvez a forma mais eficaz de punir Terry já esteja sendo feita. As exaustivas aparições na mídia mundial fazem com que sua imagem se deteriore ainda mais, tendo com sigo um mal estar resultante do desgaste das audiências e de estar em evidencia por ato tão repugnante. Mas tecnicamente, o maior prejuízo que o atingirá será miseras 2.500,00 libras, algo insignificante pertos dos milhões que recebe por temporada no Chelsea FC.
A indagação que fica é a seguinte: o que pode acontecer com quem comete esse tipo de ato? Qual será a sua vida após a IDENTIFICAÇÃO de tal conduta? Não estou querendo fazer nenhuma apologia à repressão imediata como remédio uno contra os crimes, mas o que fica é uma sensação de total ineficácia, impunidade e impotência com os infratores, fazendo com que o racismo se torne algo viável a qualquer jogador que tenha um salário razoável e que queira expressar seus sentimentos racistas para o companheiro de profissão.
Apesar de toda representatividade que possa ter Terry, ele ainda é mais um jogador em meio a uma multidão de pessoas subordinadas. À quem? A FIFA. E o próprio Blatter já se expressou de maneira deplorável quando questionado sobre atos racistas no futebol. Na ocasião, o presidente disse:
“não há racismo, talvez apenas um confronto entre jogadores com palavras ou gestos que não são os mais corretos, mas faz parte do jogo. No fim, um aperto de mão resolve, este tipo de coisa acontece”.

Vemos que nem ao menos o reconhecimento do problema é feito pelos engravatados que mandam no esporte, mostrando total descaso com a questão, e com isso um cenário de inércia surge aos olhos de quem não tolera racismo, e de vale-tudo aos que comentem tal ato (de novo) repugnante. Exemplo tem que vim de cima, verticalmente, e se isso não acontece passa a impressão de há uma ordem implícita de autorização para insultar os demais. A Euro 2012 é um exemplo claríssimo de quão impregnado ao futebol (jogadores, torcedores, diplomatas que cediam o evento) o racismo se encontra.
            Não sou a pessoa mais competente para julgar Terry que, até então, não passa de acusado de dizer tais coisas, e se realmente disse, devem ser analisadas para identificar a possível intenção racista de atingir o adversário. Mas podemos ao menos comentar as alegações da defesa que circulam pelos sites de notícia mundo a fora.
            Não adianta dizer que é caridoso e que tens instituições de caridade com a parceria de pessoas NEGRAS, e que somente por isso, não há motivos para desconfiar do acusado. Isso não existe! Sou daqueles que acredita na teoria da ira como desmistificador de personalidades. Acredito que os momentos de maior nervosismo, êxtase, raiva, os de maior emoção, em suma, são a melhor hora de identificar o que realmente uma pessoa pensa da outra. Ali, há pouco tempo para fingir, enganar, trapacear, a “adrenalina” está à flor da pele e o que realmente há de verdadeiro em relação à outra pessoa vem à tona. Aí sim somos autênticos. E na ocasião, dentro de campo, disputando um clássico londrino (QPR vs Chelsea FC), você “rodou”, Terry.
            Portanto, a alegação da defesa, em meu ponto de vista, é ineficaz, no sentido de elucidar a situação, mostrar que apesar da ofensa, Terry não é racista. Contudo não duvido que o mesmo no final das contas, irá se safar da “grandíssima” penalidade de pagar alguns trocados. E não acredito que irá servir de exemplo para os demais, e nem que será o ultimo caso, pois na ótica dos engravatado, com um aperto de mão, tá tudo resolvido.

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