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domingo, 15 de julho de 2012

O OUTRO LADO DO EL DORADO


     

Já não é novidade para ninguém a saída de grandes jogadores de futebol dos campeonatos europeus rumo às pequenas ligas dos países periféricos como EUA, China, Japão, Brasil e países árabes, tendo em vista que, apesar da idade avançada, eles têm ainda uma relevante representatividade no cenário mundial, o que faz os clubes desembolsarem milhões pela contratação de tais profissionais.

Nessa perspectiva, há muitos que apontam os possíveis motivos da saída desses jogadores. Dentre os mais variados, se destacam a possível ascensão dos países que os contrataram no contexto econômico, o que em primeira avaliação condiz com a verdade, pois as regiões citadas anteriormente têm economia relativamente sólida e por isso muito dinheiro a gastar.

Mas acredito ser necessário apontar os motivos na visão dos jogadores, dos interesses dos mesmos. Alguns diriam que ambos lados tem em comum as suas razões. Discordo plenamente. Creio que algo mais seduz os grandes craques, além das altas cifras pagas em um curto período de tempo.

Atualmente, podemos apontar como exemplo os casos de Drogba e Seedorf. Ambos os jogadores marcaram suas histórias no futebol europeu, com conquistas e admiração de muitos, e com isso, um grande patrimônio financeiro. Então não faria sentido querer alegar que Drogba têm grandes pretensões de disputar o campeonato chinês, considerando o que o mesmo já ganhou títulos extremamente importantes e marcantes no Chelsea.

No quesito financeiro, a situação é análoga. Drogba disputou oito temporadas em Londres e naturalmente foi muito bem pago neste período, fazendo com que a sua necessidade de acumular patrimônio financeiro seja quase mínima.

Com isso, vem à tona outro motivo muitas vezes esquecido aos desavisados de plantão que comemoram de forma ensandecida a contratação desses jogadores. O rendimento. O esporte de rendimento tem como objetivo principal o desempenho máximo mediante o estabelecimento de desafios dos próprios limites na busca de vitórias.  Sendo assim, podemos imaginar as situações extenuantes que esses jogadores passaram quando atuavam no futebol europeu, com o intuito de conseguir os melhores resultados possíveis nos mais difíceis campeonatos do mundo.

Nessa situação, um jogador convive com a pressão de rendimento o tempo todo, desde um simples treino nos centros de treinamento, até as grandes finais de ligas dos campeões. Metas são estabelecidas a todo o momento e, como é bem pago, o jogador deve trabalhar ao máximo para supera-las, e quando a supera, deve se preparar outra vez para outro planejamento que irá exigir ainda mais de sua performance.

Após algumas temporadas, o jogador se encontra esgotado física, técnica, e psicologicamente. E a sua frente o que surge? Uma oportunidade de jogar em ligas distantes dos holofotes europeus, com jogadores tecnicamente inferiores, e com salários próximos ao que anteriormente ganhava. Naturalmente, a questão financeira pesa na tomada de decisão. Entretanto, enxergar um futuro que propicie a continuidade de exercício de sua função com menos intensidade em todos os aspectos, é algo que deve sim, ser o diferencial na ida para tais times.

Não sou ingênuo para dizer que tais jogadores não têm em mente o sucesso ao jogar nos países que o contrataram. Em todos os casos, tratamos de jogadores do mais alto nível que têm bagagem suficiente para chegar e desenvolver um grande trabalho DENTRO DE SUAS ATUAIS POSSIBILIDADES. E são essas possibilidades que devem ser lembradas, considerando que já não estão no auge de suas respectivas carreiras e com isso, não irão render o que em outrora rendiam, e até não irão se dedicar da mesma maneira na superação de desafios nesses campeonatos.

Estando bem próxima a aposentadoria, o jogador quer mais é disfrutar da melhor maneira possível dos seus últimos jogos, e entre o objetivo e a motivação, ele encontra varias “comodidades” que na Europa não existia, ocasionando outra interferência no seu desempenho. E que comodidades o Rio de Janeiro possui.

Depois disso tudo, é necessário ter os pés no chão no desempenho desses craques. Há muitas variáveis a serem consideradas e que o sucesso de um não sirva de motivo para cobranças agressivas para com o outro. São pessoas diferentes, e por isso, tem suas peculiaridades em se adaptar em novo ambiente.

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