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domingo, 22 de julho de 2012

Se mudar, só tem a melhorar




Consciência do talento de Neymar é algo que todos possuem. Antes mesmo de sua estréia com a camisa profissional do Santos FC, o garoto já desfrutava com a fama de ser um raro exemplar do futebol arte brasileiro e que tinha potencial para aprimorar sua técnica cada vez mais. Ao passar desses poucos anos de carreira, as atuações deslumbrantes foram condizentes com a expectativa que todos tinham com o seu futebol.

Apesar disso tudo, Neymar ainda não sabe lidar com a fama que tem, embora saiba desfrutar dela como poucos. Digo isso, pois o jogador se exibe de maneira repetitiva (e justa) nos mais variados meios da sociedade, além do que seus jogos já chamam atenção das mais variadas partes do mundo do futebol. Assim, o lado B da fama o atrapalha e faz com que seja precocemente alvo do clubismo entre os torcedores do Brasil e agora do mundo inteiro. Vemos que em todos os lances onde o jogador não é bem sucedido, há uma reação imediata de delírio da torcida adversária, como se algum jogador tivesse feito um gol.

A fama também atrai os olhares dos técnicos de futebol, que buscam os mais variados “macetes” com o ingênuo intuído de parar o jogador. Imagino que os possíveis marcadores de Neymar devam ouvir uma palestra em separado com a comissão técnica inteira da equipe, prestando atenção atentamente em imagens e slow-motion do brasileiro quando desfere os seus mais temíveis dribles.

Mas o que vimos no amistoso da sexta feira foi algo que mostrou muito bem a Neymar que, apesar de a fama também atrair os olhares imersos a ódio quente e rancoroso de outros torcedores, há outra situação nova que deve ser repensada na carreira desde jogador. A simulação. Neymar abusou das quedas ornamentais durante a partida, fazendo com que os espectadores que compareceram no estádio o vaiassem ensandecidamente quando o mesmo participava de alguma jogada, seja a mais simples e banal possível.

A simulação é um dos atos mais inaceitáveis que pode haver no âmbito futebolístico. Através dela, além de tentar obter alguma vantagem ilegal, como uma marcação de uma falta, uma expulsão de algum adversário, fazer com que o jogo se interrompa por algum tempo para obter alguma serventia, o mau jogador tem uma atitude totalmente imoral perante todos, pois mesmo conhecendo as regras respeitadas e aceitas do esporte, conscientemente as transgride para proveito próprio, tendo a oportunidade de mascarar alguma situação e com isso “jogar” a sua torcida contra a autoridade do arbitro do jogo. Algo assim é inaceitável em solo europeu.

Se Neymar tem pretensões de atuar em alto nível na Europa, deve deixar esses vícios que tanto comete aqui no Brasil. Na Europa se joga compactando os espaços dentro de campo, sendo que não há muito tempo para que o jogador possa dominar a bola e conduzi-la como bem quiser. Com isso, choques e trombadas são naturais nessas partidas e Neymar deve ir se acostumando com esse tipo de cenário. Além dessas dificuldades, o fair-play é algo comumente respeitado entre os participantes do futebol, entre eles jogadores, técnicos e torcedores, onde qualquer ato que tenha como objetivo a quebra desse “acordo cordial” é severamente punido, como por exemplos as simulações.

Não podemos deixar de lembrar que a estrutura física desse jogador faz com que ele seja facilmente desequilibrado, mas nada comparado aos saltos ornamentais que foram motivo de chacota nos periódicos britânicos. Neymar deve ter consciência da grandeza de sua imagem, como ídolo nacional e futuramente internacional, e que preservá-la como sendo um jogador excelente e que respeite as regras do jogo, é algo imprescindível que só irá somar em sua trajetória futebolística. Apesar das cretinas opiniões (pragmáticas e utilitaristas que defendam os próprios interesses negligenciando o resto) alegarem que o jogador não deva ser exemplo para ninguém, a situação não se desenrola desta maneira. Para ser bem direto no exemplo, olhe tantas tendências que tiveram Neymar como incentivador e formador de “gostos”.

Mas devemos ter calma e pensar antes de dizer bobagens absurdas sobre o jogador. Falhas assim são naturais no desenvolvimento da carreira de qualquer pessoa, seja nas mais variadas áreas de trabalho. E no que diz respeito à Neymar, o garoto aparenta ser bom moço e com a cabeça bem assessorada. Ao contrario de muitos que se auto idolatram, supervalorizando suas discretas virtudes e negando enxergar os seus inúmeros defeitos, só sabendo provocar os demais colegas de profissão com pecaminosas declarações originadas por todos os lugares possíveis menos o cérebro, pois se por ventura o possuem, não o utilizam.

Por isso, uma diminuição nas simulações como também nos gestos, caras e bocas em comemorações provocativas colocarão cada vez mais O FUTEBOL de Neymar em evidência, e se isso acontecer, o maior beneficiado serão os times que o jogador defende, e o próprio astro em pessoa.

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