Consciência do talento de Neymar é algo que todos possuem. Antes mesmo de sua estréia com a camisa profissional do Santos FC, o garoto já desfrutava com a fama de ser um raro exemplar do futebol arte brasileiro e que tinha potencial para aprimorar sua técnica cada vez mais. Ao passar desses poucos anos de carreira, as atuações deslumbrantes foram condizentes com a expectativa que todos tinham com o seu futebol.
Apesar
disso tudo, Neymar ainda não sabe lidar com a fama que tem, embora saiba
desfrutar dela como poucos. Digo isso, pois o jogador se exibe de maneira
repetitiva (e justa) nos mais variados meios da sociedade, além do que seus
jogos já chamam atenção das mais variadas partes do mundo do futebol. Assim, o
lado B da fama o atrapalha e faz com que seja precocemente alvo do clubismo
entre os torcedores do Brasil e agora do mundo inteiro. Vemos que em todos os
lances onde o jogador não é bem sucedido, há uma reação imediata de delírio da
torcida adversária, como se algum jogador tivesse feito um gol.
A
fama também atrai os olhares dos técnicos de futebol, que buscam os mais
variados “macetes” com o ingênuo intuído de parar o jogador. Imagino que os
possíveis marcadores de Neymar devam ouvir uma palestra em separado com a
comissão técnica inteira da equipe, prestando atenção atentamente em imagens e
slow-motion do brasileiro quando desfere os seus mais temíveis dribles.
Mas
o que vimos no amistoso da sexta feira foi algo que mostrou muito bem a Neymar
que, apesar de a fama também atrair os olhares imersos a ódio quente e
rancoroso de outros torcedores, há outra situação nova que deve ser repensada
na carreira desde jogador. A simulação. Neymar abusou das quedas ornamentais
durante a partida, fazendo com que os espectadores que compareceram no estádio
o vaiassem ensandecidamente quando o mesmo participava de alguma jogada, seja a
mais simples e banal possível.
A
simulação é um dos atos mais inaceitáveis que pode haver no âmbito
futebolístico. Através dela, além de tentar obter alguma vantagem ilegal, como
uma marcação de uma falta, uma expulsão de algum adversário, fazer com que o
jogo se interrompa por algum tempo para obter alguma serventia, o mau jogador
tem uma atitude totalmente imoral perante todos, pois mesmo conhecendo as
regras respeitadas e aceitas do esporte, conscientemente as transgride para
proveito próprio, tendo a oportunidade de mascarar alguma situação e com isso
“jogar” a sua torcida contra a autoridade do arbitro do jogo. Algo assim é
inaceitável em solo europeu.
Se
Neymar tem pretensões de atuar em alto nível na Europa, deve deixar esses
vícios que tanto comete aqui no Brasil. Na Europa se joga compactando os
espaços dentro de campo, sendo que não há muito tempo para que o jogador possa
dominar a bola e conduzi-la como bem quiser. Com isso, choques e trombadas são
naturais nessas partidas e Neymar deve ir se acostumando com esse tipo de
cenário. Além dessas dificuldades, o fair-play é algo comumente respeitado
entre os participantes do futebol, entre eles jogadores, técnicos e torcedores,
onde qualquer ato que tenha como objetivo a quebra desse “acordo cordial” é
severamente punido, como por exemplos as simulações.
Não
podemos deixar de lembrar que a estrutura física desse jogador faz com que ele
seja facilmente desequilibrado, mas nada comparado aos saltos ornamentais que
foram motivo de chacota nos periódicos britânicos. Neymar deve ter consciência
da grandeza de sua imagem, como ídolo nacional e futuramente internacional, e
que preservá-la como sendo um jogador excelente e que respeite as regras do
jogo, é algo imprescindível que só irá somar em sua trajetória futebolística.
Apesar das cretinas opiniões (pragmáticas e utilitaristas que defendam os
próprios interesses negligenciando o resto) alegarem que o jogador não deva ser
exemplo para ninguém, a situação não se desenrola desta maneira. Para ser bem
direto no exemplo, olhe tantas tendências que tiveram Neymar como incentivador
e formador de “gostos”.
Mas
devemos ter calma e pensar antes de dizer bobagens absurdas sobre o jogador.
Falhas assim são naturais no desenvolvimento da carreira de qualquer pessoa, seja
nas mais variadas áreas de trabalho. E no que diz respeito à Neymar, o garoto
aparenta ser bom moço e com a cabeça bem assessorada. Ao contrario de muitos
que se auto idolatram, supervalorizando suas discretas virtudes e negando
enxergar os seus inúmeros defeitos, só sabendo provocar os demais colegas de
profissão com pecaminosas declarações originadas por todos os lugares possíveis
menos o cérebro, pois se por ventura o possuem, não o utilizam.
Por
isso, uma diminuição nas simulações como também nos gestos, caras e bocas em
comemorações provocativas colocarão cada vez mais O FUTEBOL de Neymar em evidência,
e se isso acontecer, o maior beneficiado serão os times que o jogador defende,
e o próprio astro em pessoa.






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