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sábado, 28 de julho de 2012

Olimpíadas para os verdadeiros atletas




Enfim começaram os jogos olímpicos de Londres 2012, uma grande festa deu início às atividades em solo britânico na sexta feira. O verdadeiro gigante das competições esportivas mundiais realmente impressiona os que têm o privilégio de acompanhar as provas diárias. Atletas que se dedicaram durante a vida toda, entram em suas provas, lutas, partidas dispostos a mostrar o melhor de si e provar que valeu todo o esforço de longos treinos e planejamentos.

E logo no primeiro dia de competições, nos poucos minutos vagos que pude ter para acompanhar os jogos, vi a piauiense SARAH MENEZES ganhar o ouro olímpico no Judô. Algo extremamente emocionante para ela, como também para os telespectadores (inclusive eu que não sou dos mais emotivos).  Nunca tive a sorte de vivenciar tal situação, mas acredito ser algo incrível disputar uma luta em apenas 5 minutos, tentando conseguir o objetivo máximo, a medalha de ouro. Qualquer erro, desde o mais sutil, pode colocar todo um planejamento por água a baixo, e para um atleta, entrar com todo esse peso nas costas, além da sua evidente vontade de ganhar, deve ser uma das muitas coisas que se sente antes de entrar em disputa.

Em contraste, temos algumas modalidades que não tratam as olimpíadas com seu devido valor. Observamos por exemplo o futebol masculino, que não passa de um selecionado de jovens milionários prestes a negociar contratos mais ricos ainda, que usam os jogos como publicidade para o estrangeiro. Os poucos veteranos que são selecionados vão com pouca ou quase nenhuma responsabilidade, tendo em vista que os seus clubes os aguardam para grande temporada 2012/13 que irá suceder logo logo. Além das tentativas de reerguer algum ex-craque de futebol, o colocando ao lado de jovens com o intuído de passar “experiência” aos garotos. Como vemos o verdadeiro significado das Olimpíadas não é reconhecido.

O que quero discutir com esse texto é a importância que os jogos olímpicos têm para cada atleta. No caso do futebol, sabemos que a própria FIFA sempre evitou que essa competição pudesse “rivalizar” em status com a copa do mundo. Além disso, a idade que esses jogadores têm quando são selecionados também é fator determinante para a desvalorização ou desconhecimento da relevância dos jogos. Devemos ter em mente que são atletas que acabaram de chegar a seus respectivos times principais e que sempre foram influenciados a pensar em conseguir êxitos em outras competições, como a Copa do Mundo, Campeonatos Nacionais e Intercontinentais de seus países.

Para tentar comparar, podemos nos reportar à mesma modalidade, mas de gênero diferente. Neste caso, além de reunir as melhores atletas do futebol feminino e usar o próprio Mundial de seleções como classificatório para as olimpíadas, nota-se a existência, desde cedo, de uma mentalidade visando primeiramente à disputa das olimpíadas, e após a ascensão para o profissionalismo, o projeto objetivando o Ouro Olímpico.  Isso sim é valorizar a competição, ter consigo a vontade de participar dessa disputa história, de saber que pela frente terá a oportunidade de entrar no seleto grupo de medalhistas olímpicos, que engendram as mais diversas e distantes épocas da história humana.

Até agora, foi considerado apenas a consciência da relevância história e o possível significado da participação dos atletas nos jogos olímpicos. E no caso de um fracasso?  Como se comportariam e receberiam a derrota? Já tivemos oportunidades de ver a seleção feminina de futebol perder a disputa da medalha de ouro e a frustração das atletas após o insucesso é algo totalmente diverso do que podemos notar no futebol masculino. Não adianta ir até as coletivas de imprensa e dizer que está chateado com a derrota, se nem ao menos têm a dignidade e o respeito para comparecer e receber a medalha de prata. Sem falar da displicência em receber o bronze, atendendo ligações de “conhecidos” quando está somente no pódio olímpico.
Por essas e outras que devemos aplaudir o esforço dos verdadeiros atletas olímpicos, que atravessam as mais difíceis dificuldades nos treinamentos, se esforçam ao máximo para recuperar-se de gravíssimas lesões, lutam e até imploram por patrocínio, vivem na obscuridade do anonimato esportivo, mas que no final, estão lá, no pódio recebendo suas medalhas, ou mesmo participando e tendo consigo que fizeram o seu melhor, representando com dignidade o Brasil.



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