Enfim começaram os jogos
olímpicos de Londres 2012, uma grande festa deu início às atividades em solo
britânico na sexta feira. O verdadeiro gigante das competições esportivas
mundiais realmente impressiona os que têm o privilégio de acompanhar as provas
diárias. Atletas que se dedicaram durante a vida toda, entram em suas provas,
lutas, partidas dispostos a mostrar o melhor de si e provar que valeu todo o
esforço de longos treinos e planejamentos.
E logo no primeiro dia de
competições, nos poucos minutos vagos que pude ter para acompanhar os jogos, vi
a piauiense SARAH MENEZES ganhar o ouro olímpico no Judô. Algo extremamente
emocionante para ela, como também para os telespectadores (inclusive eu que não
sou dos mais emotivos). Nunca tive a
sorte de vivenciar tal situação, mas acredito ser algo incrível disputar uma
luta em apenas 5 minutos, tentando conseguir o objetivo máximo, a medalha de
ouro. Qualquer erro, desde o mais sutil, pode colocar todo um planejamento por
água a baixo, e para um atleta, entrar com todo esse peso nas costas, além da
sua evidente vontade de ganhar, deve ser uma das muitas coisas que se sente
antes de entrar em disputa.
Em contraste, temos
algumas modalidades que não tratam as olimpíadas com seu devido valor.
Observamos por exemplo o futebol masculino, que não passa de um selecionado de
jovens milionários prestes a negociar contratos mais ricos ainda, que usam os
jogos como publicidade para o estrangeiro. Os poucos veteranos que são
selecionados vão com pouca ou quase nenhuma responsabilidade, tendo em vista
que os seus clubes os aguardam para grande temporada 2012/13 que irá suceder
logo logo. Além das tentativas de reerguer algum ex-craque de futebol, o
colocando ao lado de jovens com o intuído de passar “experiência” aos garotos.
Como vemos o verdadeiro significado das Olimpíadas não é reconhecido.
O que quero discutir com
esse texto é a importância que os jogos olímpicos têm para cada atleta. No caso
do futebol, sabemos que a própria FIFA sempre evitou que essa competição
pudesse “rivalizar” em status com a copa do mundo. Além disso, a idade que
esses jogadores têm quando são selecionados também é fator determinante para a
desvalorização ou desconhecimento da relevância dos jogos. Devemos ter em mente
que são atletas que acabaram de chegar a seus respectivos times principais e
que sempre foram influenciados a pensar em conseguir êxitos em outras
competições, como a Copa do Mundo, Campeonatos Nacionais e Intercontinentais de
seus países.
Para tentar comparar,
podemos nos reportar à mesma modalidade, mas de gênero diferente. Neste caso,
além de reunir as melhores atletas do futebol feminino e usar o próprio Mundial
de seleções como classificatório para as olimpíadas, nota-se a existência,
desde cedo, de uma mentalidade visando primeiramente à disputa das olimpíadas,
e após a ascensão para o profissionalismo, o projeto objetivando o Ouro
Olímpico. Isso sim é valorizar a
competição, ter consigo a vontade de participar dessa disputa história, de
saber que pela frente terá a oportunidade de entrar no seleto grupo de medalhistas
olímpicos, que engendram as mais diversas e distantes épocas da história
humana.
Até agora, foi
considerado apenas a consciência da relevância história e o possível
significado da participação dos atletas nos jogos olímpicos. E no caso de um
fracasso? Como se comportariam e
receberiam a derrota? Já tivemos oportunidades de ver a seleção feminina de
futebol perder a disputa da medalha de ouro e a frustração das atletas após o
insucesso é algo totalmente diverso do que podemos notar no futebol masculino.
Não adianta ir até as coletivas de imprensa e dizer que está chateado com a
derrota, se nem ao menos têm a dignidade e o respeito para comparecer e receber
a medalha de prata. Sem falar da displicência em receber o bronze, atendendo
ligações de “conhecidos” quando está somente no pódio olímpico.
Por essas e outras que
devemos aplaudir o esforço dos verdadeiros atletas olímpicos, que atravessam as
mais difíceis dificuldades nos treinamentos, se esforçam ao máximo para
recuperar-se de gravíssimas lesões, lutam e até imploram por patrocínio, vivem
na obscuridade do anonimato esportivo, mas que no final, estão lá, no pódio
recebendo suas medalhas, ou mesmo participando e tendo consigo que fizeram o
seu melhor, representando com dignidade o Brasil.






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