É
muito bom ver que as atividades já foram retomadas no futebol europeu. A lacuna
também conhecida com Férias de Verão acabou e poderemos enfim voltar a
acompanhar jogos de altíssimo nível com os melhores profissionais desempenhando
seu papel dentro e fora das quatro linhas.
Naturalmente,
a nossa tão frágil memória ainda não esqueceu que essa lacuna poderia ter sido
ainda pior se não fosse os tão aguardados eventos esportivos que ocorrem de 4
em 4 anos. A Eurocopa e as Olimpíadas fizeram o verão (no nosso caso inverno,
que também é verão dependendo da região brasileira) do futebol mais atrativo e
menos monótono, com as grandes apresentações das seleções nacionais européias e
das grandes estrelas olímpicas, com destaque para os esportes coletivos como o
vôlei, futebol (feminino), basquete, e por aí vai.
Pra
começar, vimos à estréia um tanto chata do atual campeão europeu. Comprometido
com o discurso do treinador Di Matteo, a equipe londrina venceu fora de casa o
Wigan Athetic. Infelizmente o jogo foi estragado pelos dois gols relâmpagos do
Chelsea, primeiramente com Ivanovic, que demonstra cada vez mais que pode atuar
como um Lateral de competência respeitável no apoio do ataque, e Lampard
cobrando pênalti. Tudo isso em 6 breves minutos de blitz azul, tendo o
recém-contratado Hazard atuando com personalidade, buscando o jogo com suas
arrancadas e dribles ( originando o pênalti convertido por Lampard) que até
então cansava de fazer na França onde atuava pelo Lille. No mais, houve a já
conhecida e exacerbadamente premiada “maneira defensiva” de jogar do Chelsea,
deixando a equipe da casa com a posse de bola, porém sempre fechando os espaços
e aproximando as duas linhas de marcação, colocando Torres isolado e inoperante
como sempre.
Devemos
admitir que tal postura também foi causada pelo placar muito favorável
conseguido logo no início da partida (por isso mesmo que disse que o jogo foi
estragado), mas seria interessante ver esse renovado time do Chelsea estrear
logo num jogo fora de casa buscando o a vitoria durante todo o decorrer da
partida.
Menção
honrosa fica para a atuação debutante de Oscar. Após boa participação com a
camisa canarinho pela seleção nas Olimpíadas, o brasileiro entrou no segundo
tempo e teve mais ou menos 25 minutos para tentar agradar o técnico Di Matteo.
E o objetivo deve ter sido alcançado. Logo de cara, boa jogada pelo lado
direito, arrancando com a bola, e com um auto-passe ganhou do zagueiro,
chutando rasteiro cruzado, que levou perigo para o goleiro do Wigan. Além
disso, novamente pelo lado direito, participou de uma triangulação com o
lateral Ivanovic, que só não terminou em gol por causa da “distração” de
Torres, não aproveitando a sobra na pequena área. Dois lance que resumem a boa
atuação, sempre cri-ativa, no sentido de estar sempre ativo, atento em qualquer
jogada, para ir de encontro ao principal objetivo, o gol. Como? Criando oras! E
isso ele sabe fazer e tem potencia para aprimorar.
No
mercado da bola, o que mais chamou atenção foi a contratação de Van Persie por
parte dos Diabos Vermelhos. O holandês nunca escondeu a sua insatisfação por
não ter a companhia de outros grandes jogadores e com isso, não conseguir
títulos na sua excelente passagem pela equipe londrina. Faltando um ano para o
encerramento do vinculo, o Arsenal foi forçado a vendê-lo ao Manchester UTD, em
troca de alguns milhões de Libras, que certamente não irão substituir a altura
o atacante.
Assim,
não foram poucos os torcedores que já amaldiçoaram ate a sétima geração de Van
Persie. Até aí, dentro da normalidade. O que acredito ser no mínino ingenuidade
está no fato de alguns jornalistas e comentaristas tratar o caso como um crime
por parte de Van Persie. Cabe o jogador analisar e escolher o que mais vale em
sua opinião, ser um eterno ídolo de um grande clube e provavelmente não ganhar
nenhum título expressivo, ou sair para um dos maiores rivais, perdendo a sua
confortável estabilidade, mas com as probabilidades de ser campeão aumentadas
significativamente. Ídolos eternos são exceções, fogem totalmente a regra. E
construir uma carreira assim necessita de muitas abdicações e sacrifícios que
nem sempre são recompensadas das mais variadas e merecidas maneiras. Então, um
jogador, que não é nenhum jovenzinho, tem o direito de não escolher tal
caminho, e não deve ser taxado de forma pejorativa com alguns fizeram. Certo é
ele, e deve ser respeitado.
Ele
não é besta pra bancar onde de herói. Entrar para historia com ídolo supremo
sem nenhum título, e com outros, não com Van Persie.






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