Estava assistindo um vídeo bastante interessante do jornalista PVC no
site da ESPN. Entre outras coisas, PVC trazia algumas considerações sobre o
posicionamento não mutável do Barcelona de Tito Vila Nova, sempre no 4-3-3,
contrastando com Pep que variava do 4-3-3 para 3-4-3 constantemente. Mas, além
disso, ao final do vídeo, PVC lançou um questionamento, colocando em dúvida se
hoje o Barcelona ainda é possuidor do status de melhor equipe disparada de
futebol do mundo.
Obviamente a resposta é não. Apesar do estupendo início de temporada, com 14 partidas de invencibilidade (só quebrada na quarta rodada da Liga dos Campeões contra o Celtic), o time do Barcelona sofre para vencer equipes cada vez melhores defensivamente, cumprindo uma espécie de cronograma tático a risca, não permitindo chances de gols dos catalães.
Alguns comportamentos são merecedores de destaque. Antigamente,
(estranho, só faz 4 anos) as equipes que os enfrentavam buscavam tomar a posse
de bola em qualquer parte do campo, deixando muitas vezes um grande espaço
entre a linha de zagueiros e a de meio campistas, que iam de encontro contra quem
estava com a bola, para tentar um desarme. Hoje, as equipes preferem deixar o
Barça ficar com a bola, se postando firmemente em frente de sua grande área,
não permitindo que a linha de meio-campistas tente um desarme precipitado,
deixando-os bem próximos aos zagueiros. Ao recuperarem a bola, ou buscam o
contra-ataque, com investidas pelas laterais, ou então evitam que o Barcelona
consiga recuperar a bola próximo ao local onde a mesma foi perdida. Neste
instante, o time catalão se recompõe formando um bloco e flutua até a nova
faixa de campo onde se encontra a bola, para pressionar, diminuindo os espaços
para troca de passes. Porém, após esse deslocamento do bloco é criado um espaço
no flanco oposto de campo, propiciando rupturas de jogadores rápidos em jogadas
de ataque rápido, e não contra-ataque.
Prova disso está nos números de posse de bola absurdos no primeiro tempo,
onde beiravam aos 83 por cento para os espanhóis. Algo que se tornou uma arma
adversária, pois o momento onde o Barça tem a posse de bola, o adversário já
esta com sua defesa postada, e por isso, dificulta as ações ofensivas, como
também não proporciona momentos de desestabilidade defensiva ao mesmo tempo em
que o Barça tem a posse. Mesmo assim, os adversários conseguem atacar de maneira
eficiente, como por exemplo a partida da Escócia, conseguindo fazer dois gols.
Mas ainda prefiro ressaltar o ato heroico dessa equipe. Em muitos
momentos desse jogo na Escócia, o Barça só tinha a disposição uma faixa de 15
metros, que constituíam o espaço entre a linha da grande área e o começo da
intermediaria ofensiva. Neste local, se aglomeravam de 8-9 jogadores do Celtic
e mais 6-7 do Barcelona. Esse tipo de situação enfrentada frequentemente por
uma particular equipe é atípica na maioria dos jogos de todos os campeonatos
europeus, como também é raro que tal situação persiste em um período de tempo
considerável da partida.
Com todos esses problemas, um dos maiores prejudicados é Messi. O jogador
acostumado a jogar de falso nove agora tem ao seu redor muitos defensores, que
evitam até mesmo o domínio de bola por parte do argentino. Além da
superioridade numérica, as características físicas desse jogador não são as
mais apropriadas para jogar de costas para o gol, muito menos disputar lances
pelo alto. Contudo, a velocidade de reação, juntamente com movimentos
imprevisíveis e eficientes ainda funcionam, mas em quantidade cada vez menor,
prejudicando o andamento das ações ofensivas.
Outro fator que dificulta para Messi são as constantes mudanças na
lateral direita, posição essa que tanto o ajudou em anos anteriores. Alves já
não é tão eficiente como em outrora, Adriano não tem a mesma qualidade, e
Montoya ainda é jovem e de características diferentes. Aliados a tudo isso,
temos também a chegada de Alba, que joga pela esquerda (flanco contrario a
Messi) forçando o lateral oposto a recompor mais vezes a defesa quando a equipe
ataca. Nas temporadas anteriores isso não acontecia, pois Abidal jogava muito
recuado, dando liberdade a Alves para ajudar Messi pela direita.
A meu ver, além dos espetáculos que surpreendiam e maravilhavam os
torcedores, o Barça também proporcionou uma espécie de aprimoramento das
defesas adversárias, que gradativamente construíam coletivamente (com as
experiências de todas as equipes) uma forma eficaz de defender, que se mostra
pronta e bastante eficaz nesta temporada. Talvez o Barça não tenha a mesma
capacidade de se adaptar aos aprimoramentos defensivos dos adversários, na
mesma proporção que os adversários se adaptaram a forma ofensiva de jogar
espanhola. Vale ressaltar que esse período de adaptação foi longo e dividido
entre muitas equipes, tempo esse que o Barcelona não terá se ainda almeja ser
portador do status de melhor equipe disparada do mundo.






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